Dumbo olha o passo do elefantinho!

Com estilo e extras, disco dos 70 anos do filme da Disney traz boas atrações

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Mãe e filho. Feito para recuperar perdas da Disney com Fantasia, filme do elefante

 

  Walt Disney sempre foi atraído por personagens desajustados. Vários deles são rejeitados por aqueles a quem amam, ou de quem querem ser amigos. Um exemplo é Dumbo. "The smallest little elephant", o menor entre os pequenos elefantes do mundo, está para completar 70 anos. A animação de 1941, direção de Ben Sharpsteen, foi feita no galope para tentar recuperar as perdas do estúdio do velho Walt com a extravagância chamada Fantasia. Lançado um ano antes, o ambicioso projeto foi muito avançado para sua época e fracassou na bilheteria. Para fazer caixa, Disney recorreu ao elefantinho. Com Dumbo, o estúdio alçou voo de novo.

Os 70 anos de Dumbo ganham lançamento especial ? um DVD que, além do clássico, traz um monte de extras. Você sabe quem são Peter Docter e Andreas Deja. O diretor de Up ? Altas Aventuras e o lendário animador fazem comentários em áudio sobre cenas selecionadas do filme. E existem os especiais ? Voando: Por Trás das Câmeras de Dumbo; A Magia de Dumbo, O Design Sonoro de Dumbo. Um regalo ? cenas inéditas, incluindo uma música, Are You a Man or a Mouse?

Vasculhando no baú da Disney seria possível, talvez, encontrar muito mais cenas inéditas. Afinal, Dumbo talvez seja a mais curta das grandes animações do estúdio. Tem apenas 64 minutos, meia hora a menos do que a média dos desenhos longos atuais (e alguns vão além de 90 ou 100 minutos). Essa concisão narrativa é um dos encantos do filme, ao qual especialistas aplicam adjetivos como "charmoso" e "sweetie" (docinho). Lee Unkrich, diretor de Toy Story 3, numa entrevista por telefone anteontem, é definitivo ? a cena em que Dumbo visita sua mãe enjaulada possui, segundo ele, uma densidade emocional que raros dramas em live action alcançam na história do cinema. Unkrich está certo ? e o filme dele também é muito bom, mas você terá de esperar até sexta-feira, na estreia, para confirmar.

Dumbo baseia-se numa história ? que acabara de ser publicada ? de Helen Aberson e Harold Pearl. Dumbo, o menor elefante do mundo, nasce com aquelas orelhas enormes que o transformam em motivo de chacota no circo. Sua mãe, tentando ajudá-lo, provoca tumulto e vai "presa" (é enjaulada). A cena é forte e durante anos foi considerada traumática para crianças dependentes das mães. Hoje, as plateias, mesmo infantis, captam melhor seu significado dramático na arquitetura do filme. Para aumentar ainda mais o desespero de Dumbo, ele é designado, pelo dono do circo, para integrar o número dos palhaços, que judiam do pobre elefantinho. Só que Dumbo, na sua provação, ganha um aliado. O ratinho Timóteo o ajuda a recuperar a autoestima. Dumbo descobre que as orelhas desmesuradas lhe permitem voar. Ele vira a atração do circo, com direito a tratamento especial para si, para a mãe e para Timóteo. Muito bem contada, a história é emotiva e tem humor. O número antológico é o balé dos Elefantes Cor-de-Rosa. Dumbo vai encantá-lo, e não importa se você tem 8 ou 80 anos.

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