Dumas e sua sombra, um caso curioso

Festival de Berlim, em fevereiro. Roman Polanski, em prisão domiciliar na Suíça, ganha o prêmio de direção por O Escritor Fantasma. O ator Ewan McGregor monopoliza a entrevista coletiva. Compara Polanski a uma mãe irritante, que cobra dos "filhos" (atores e técnicos) e, no fim, têm de concordar que ela "tem razão". Havia outro filme sobre um escritor fantasma na Berlinale. Passou fora de concurso, e é bom. L"Autre Dumas baseia-se na peça Signé Dumas. O filme de Safy Nebbou resgata uma verdade histórica. Alexandre Dumas foi um dos escritores mais prolíficos, e populares, de todos os tempos. Um dos mais adaptados pelo cinema, também. Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo tiveram várias versões. A Rainha Margot virou grande filme de Patrice Chéreau. Dumas é interpretado por Gérard Depardieu, Dominic Blanc faz sua mulher. A surpresa reservada pelo diretor Nebbou é a revelação de que o escritor tinha o que os franceses chamam de "nègre". Uma sombra. Benoit Poelvoorde faz o ghost writer de Dumas, o colaborador anônimo que vive à sombra do grande homem, pesquisando (e escrevendo) para ele. Um dia, ele se apaixona. Para impressionar a mulher amada, apresenta-se como autor dos livros que ela adora. A discussão sobre identidade é fascinante. O Outro Dumas ainda não tem distribuição no Brasil. /

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

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