Duelo de atores de teatro e de tevê

Luiz Carlos Vasconcelos e Chico Diaz dividiram o prêmio de melhor ator no Festival do Rio do ano passado, justamente pelos papéis em O Sol do Meio Dia. Na época, Chico já havia dito ao Estado como havia sido estimulante fazer o papel de Matuim, trabalhando com uma diretora como Eliane (Lili) Caffé. "Ela me deu esse presentão que foi o Matuim. Meu personagem começa imponente, transando com uma mulher forte e termina o primeiro ciclo dele lá embaixo. É como se, com aquela peruca, ele perdesse a dignidade. Lili nunca me deu uma explicação sobre o porquê da peruca, mas acho que tem alguma coisa de Sansão, de força."

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

Chico Diaz adorou o mergulho no Brasil profundo, que não é visto. Luiz Carlos Vasconcelos, como ele, é ator de teatro e cinema, com passagens pela TV. Considera-se acima de tudo, homem de teatro. "É muito tempo, desde criança, em cima de um palco. Como ator e diretor, aprendi a ver e pensar o mundo através do teatro. O cinema me atrai, mas ainda sou principiante, mesmo com 13 filmes. Procuro sempre me rever na tela, em busca dos defeitos, porque sou perfeccionista. Mas é curioso. Quando fiz O Primeiro Dia, com Fernanda Torres, ela me disse - "Quando você for se ver na tela, vai ver os outros, os outros, os outros." É como se a gente tivesse um olho cego para si mesmo e eu gosto de me analisar. Tem trabalhos que a gente só entende depois."

Artur foi um pouco assim. Luiz Carlos Vasconcelos concorda com a diretora, que diz, na entrevista acima, que ele poderia muito bem ter feito o Matuim. "Quando a Lili me pediu para ler algumas cenas, ou seja, para fazer um teste, achei muito natural. Como diretor de teatro, eu também preciso testar meus atores, para sentir firmeza nos papéis." Ele diz que a troca é fundamental. "Gosto muito de Chico (Diaz), ele é como um irmão para mim. Mas durante a filmagem, havia um estranhamento, uma coisa de distância. Não sei se uso as melhores palavras, mas nossos personagens entram numa rota de colisão. Artur é mais introvertido, Matuim é expansivo. Há um equilíbrio entre eles, que a mulher vai romper. Acho que até por causa disso, a gente se estranhava, um pouco, se reservava."

Qual foi a importância de filmar no Pará? "Filmar é uma experiência curiosa. O filme leva a gente a lugares que não iríamos. Por exemplo, já fui a Belém, mas não àquelas regiões próximas em que filmamos. Digamos que os personagens são universais, mas a paisagem particulariza a experiência deles. Artur foi muito bacana de fazer, mas foi difícil. Dolorido. Trabalhei muito em cima de sentimentos como culpa, dor. Sinto uma evolução da Lili neste filme e gosto de fazer parte dele."

Trailer. Veja trechos de O Sol do Meio Dia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.