Leo Azevedo/AE
Leo Azevedo/AE

Dudamel traz sedução musical para Salvador

Gustavo Dudamel desce do palco do Teatro Castro Alves durante o ensaio na manhã de ontem e se posiciona no meio da plateia. Quer sentir a acústica, ver como sua orquestra soa. De longe, orienta os jovens venezuelanos da Sinfônica Simón Bolívar, pede atenção ao caráter etéreo da partitura, corrige a entrada dos contrabaixos, quer mais transparência, "sem perder o encantamento, o cantabile". "Muchachos, esta música é pura sedução", diz, de volta ao palco, enquanto com as mãos desenha no ar a silhueta de uma bela mulher. O clima é de descontração. E os músicos então recomeçam.

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

Aos 30 anos, Dudamel é o que hoje mais se aproxima, no universo erudito, de uma estrela pop. O talento e a intuição musical o levaram cedo às principais orquestras do mundo, apadrinhado pelos grandes da regência, de Daniel Barenboim a Claudio Abbado. Fez seus estudos no Sistema, projeto de educação musical venezuelano que há quatro décadas espalha pelo país escolas e conjuntos de música, apostando no diálogo entre desenvolvimento artístico e social. Criado por José Abreu, o projeto é, hoje, referência no mundo todo - e virou símbolo da sobrevivência da música clássica, de seu poder de atingir e encantar as pessoas. A Sinfônica Simón Bolívar e a orquestra profissional do projeto. E, após turnês europeias e americanas, eles fazem desde ontem a primeira turnê latino-americana, que terá concertos em São Paulo, Rio, Buenos Aires, Bogotá, Santiago e Montevidéu.

Dudamel e os músicos da Sinfônica Simón Bolívar chegaram na noite de terça-feira a Salvador, em um voo fretado especialmente para a turnê. Foram recebidos por músicos do Neojibá, projeto baiano que busca reproduzir a experiência do Sistema. Dudamel e José Abreu foram dos primeiros a desembarcar, por volta da meia-noite. Aplaudidos pelas fãs (as meninas eram, de longe, maioria), posaram para fotos e trocaram cumprimentos. No caminho até o carro, um pouco surpreso com a recepção, Dudamel falou rapidamente ao Estado sobre o início da turnê pela América Latina. Viajar é sempre uma experiência intensa, mas, desta vez, há o atrativo de tocar no próprio continente. "Isso torna muito especial o fato de estarmos, enfim, aqui", disse o maestro, antes de entrar no carro que o levaria ao hotel.

O desembarque fora do horário padrão levou à montagem de um esquema especial da Polícia Federal para permitir a entrada dos músicos no País, assim como as dezenas de caixas com instrumentos. Ao todo, oito ônibus, além de vans, carros e caminhões aguardavam a comitiva de 260 pessoas. O alto número, segundo a organização da turnê, deve-se ao fato de que não apenas os integrantes da orquestra participam da viagem, mas também outros alunos do Sistema, uma maneira de expor os jovens à experiência do contato com outras culturas. Numa pequena Babel, a equipe de produção conta com profissionais brasileiros, venezuelanos e europeus, representantes da agência responsável pelas viagens da orquestra.

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