O "Drone" é um sonho de arma. Realiza o ideal de qualquer soldado, que é o de matar inimigos sem o risco de morrer também. O "Drone" é controlado a distância, sua "tripulação" nunca sai do chão e seus ataques são guiados, imagino, por comandos parecidos com os de um videogame. Foguetes e bombas são disparados dos "Drones" com simples toques dos dedões e os resultados aparecem na tela para serem comemorados. Como nos videogames.

14 Fevereiro 2013 | 02h08

De certa forma, o "Drone" é a última etapa de uma evolução que vem vindo desde que a única arma de guerra era o tacape e os homens buscavam maneiras mais assépticas de se matarem. Daí inventaram a lança, o arco e flecha, a catapulta, o canhão - tudo para aumentar a distância entre os guerreiros e evitar os respingos de sangue. Com o "Drone" chega-se perto da perfeição. Já se pode liquidar inimigos da poltrona.

Mas, ao contrário dos videogames, os "Drones" matam gente, e indiscriminadamente. Hoje não se fala mais em bombardeios "cirúrgicos", talvez porque estivesse ficando muito mal para a cirurgia. Os ataques de "Drones" americanos no Afeganistão eliminam os alvos e o que estiver por perto, e crescem as estatísticas de efeitos colaterais como a morte de crianças, entre outros inocentes. Nos Estados Unidos têm havido protestos contra o uso de "Drones", mas o presidente Obama e seu novo secretário da Defesa já disseram que o aprovam. Afinal, até hoje não há caso de um avanço na tecnologia da guerra que tenha sido suspenso por motivos humanitários. Ninguém mais usou bombas nucleares depois das de Hiroshima e Nagasaki, é verdade, mas porque usá-las seria suicídio. Os "Drones", à prova de retaliação, são o exato oposto das bombas nucleares. Que, de qualquer maneira, continuam estocadas, de prontidão.

A próxima etapa da evolução pode ser a substituição de soldados por robôs. O ascetismo chegaria ao máximo e ninguém mais morreria em ação. Pelo menos do lado americano.

Papa-móvel. Eu não sabia que papa podia pedir demissão. Aparentemente, Bento não será o primeiro, houve outros, há muito tempo. Uma questão: papa aposentado continua infalível ou esta qualidade é do cargo e não do homem? A situação do novo papa pode ser parecida com a da Dilma com relação ao Lula, que mesmo afastado continua dando palpite. Guardadas, claro, as devidas proporções.

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