Drama e história em 'Corações Sujos'

Fernando Morais jura que não escreve seus livros pensando no cinema. Mas Chatô - O Rei do Brasil tem uma construção dramática em quebra-cabeça, não faltando um Rosebud (como o de Orson Welles em Cidadão Kane) para decifrar o enigma da vida do lendário magnata da imprensa no Brasil. "Todo mundo me diz que eu já escrevo pensando na adaptação, mas não é verdade. Escrevo pensando na história, em como prender o leitor. A regra número 1 é a de que a história é boa e tem de ser contada."

AE, Agência Estado

17 de agosto de 2012 | 11h02

A de Corações Sujos, que deu origem ao filme de Vicente Amorim que estreia nesta sexta, surgiu quando Morais pesquisava para sua biografia de Assis Chateaubriand. Como bom repórter, formado na escola do Jornal da Tarde, ele entrevistou muita gente, incluindo uma nissei que havia sido amante de Chatô. Ela contou que o havia conhecido quando Chateaubriand intercedeu para libertar seu pai, preso pela polícia política de Getúlio Vargas. Seu pai era comunista, ele perguntou? "Não, era coração sujo", ela respondeu. E o que era isso, Morais insistiu? Ela recuou, fechou-se.

Demorou muito até ele descobrir o que e quem eram os corações sujos. Mas ao levantar o véu dessa história desconhecida dos brasileiros e dos japoneses, Morais descobriu o fio do que viria a ser um de seus mais celebrados best sellers - e agora filme. Ele não se envolve na realização, mas o simples fato de estar nesta terça-feira, num hotel da Av. Paulista, em companhia do diretor Amorim, já significa uma adesão. Morais está avalizando o filme. "Estou, sim, e digo a todo mundo que veja Corações Sujos."

Uma grande história, um grande elenco internacional, um grande filme? A resposta começa a surgir hoje, com as primeiras respostas do público, e da crítica. Mas a parceria vai continuar. Fernando Morais entrega a Vicente Amorim, em breve, o que será o argumento de um próximo filme do diretor.

O próprio Amorim revela que está numa fase em que não consegue dormir. "Quando isso ocorreu na época de O Caminho das Nuvens, achava que era por se tratar do primeiro filme. Mas estou lançando o terceiro e a ansiedade não diminui", confessa. É muito estresse. Anos de trabalho que podem ser destruídos num único fim de semana. Na lógica de mercado, não há mais tempo para permitir que os filmes achem seu caminho. Ou Corações Sujos estreia bem ou há uma longa fila de espera para lançamentos.

Uma coisa tranquiliza o diretor. Corações Sujos já estreou no Japão e, somando críticas entusiasmadas ao interesse inicial do público, chegará este fim de semana a 50 salas, mais ou menos o número que terá no Brasil. Para o Asahi Shimbun, o longa é ?poderoso?. Para o Yomiuri Shimbun, é ?soberbo?. "As atuações são estupendas", cravou o Mainichi Shimbun e, para mostrar quanto isso é verdade, basta lembrar que Tsuyoshi Ihara, que faz o protagonista, foi melhor ator em Mar Del Plata.

CORAÇÕES SUJOS - Direção: Vicente Amorim. Gênero: Drama. (Brasil/ 2011, 107 min.). Classificação: 14 anos.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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