Dose dupla de Eastwood, com western

- De Rawhide, que fez na TV, no começo de sua carreira, passando pelos spaghetti westerns de Sergio Leone, o western sempre foi o território da preferência de Clint Eastwood. Não admira que, logo no seu segundo filme como diretor, ele tenha percorrido as pradarias do Velho Oeste, mas O Estranho sem Nome não é um western tradicional. Aliás, nenhum western de Eastwood é tradicional, já que seu projeto consiste justamente em apropriar-se da mitologia do gênero para colocar em discussão seus códigos, desde o interior.O Estranho sem Nome é um dos dois lançamentos recentes de DVDs da Columbia com filmes do grande Eastwood. O outro é Escalado para Morrer. Nenhum deles está entre os títulos que os críticos gostam de colocar entre os maiores de uma filmografia que consegue, em seus melhores momentos, combinar a ação e a reflexão. Bird, Coração de Caçador e Os Implacáveis, que ganhou os Oscars de filme e direção, são as obras-primas de Eastwood. O Estranho ainda mostra um autor em busca de um estilo. Escalado é obra de encomenda que não motivou o ator e diretor, mas na qual ele imprime sua marca.Nunca é demais lembrar que Eastwood, se hoje é uma rara unanimidade, provocava suspeita nos anos 70. Depois de se consagrar nos spaghetti westerns de Leone, ele iniciou uma fulgurante carreira em Hollywood, mas críticos como a ferina Pauline Kael o consideravam um dos máximos representantes do neofascismo nixoniano. O rótulo pegou. Eastwood demorou para livrar-se dele. A crítica francesa foi a primeira a render-se ao diretor.Na Itália, com Leone, ele definiu o personagem do estranho sem nome que o tornou famoso. Foi o título que ganhou no Brasil seu segundo longa, após o thriller Perversa Paixão. No original, é High Plains Drifter. Eastwood faz o pistoleiro obcecado por vingança que chega a uma cidadezinha do Oeste, contratado pelos habitantes para enfrentar malfeitores foragidos da cadeia. Há ecos de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, que virou western (Sete Homens e Um Destino, de John Sturges). E não se pode esquecer que outro clássico do mestre japonês (Yojimbo) foi a inspiração para Por um Punhado de Dólares, que marcou o encontro de Clint com Leone.Como O Estranho, Eastwood apresenta o componente anti-social característico dos seus personagens da época. Como herói, é ambíguo, a meio caminho entre o anarquismo e o fascismo denunciado por Pauline Kael. Há seqüências fantásticas (o protagonista mandando pintar a cidade de vermelho e chamando-a de Hell, Inferno) e personagens que causam estranhamento (o anão). O Estranho é mais Leone do que Don Siegel, o outro mestre (americano) de Eastwood. Escalado mistura alpinismo com uma trama de espionagem. É meio confuso (a personagem de Elga Anderson simplesmente desaparece), mas alguns toques de humor e o personagem do albino ameaçador possuem o toque do diretor. Ambos os lançamentos incluem trailers e notas de produção. O Estranho sem Nome (EUA, 1972) e Escalado para Morrer (EUA, 1975). Columbia. DVD simples, pelo preço médio de R$ 40/45,00 nas lojas

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