Dos tempos em que ele só era o 'Ben'

Não precisa ir ao sebo. LPs imprescindíveis, como África Brasil, vão voltar às lojas

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2010 | 00h00

O aperitivo foi bom para começar a saciar a fome de bolachões: Nação Zumbi, Fernanda Takai, Pitty, Cachorro Grande. Agora a Polysom anuncia novos acepipes para dar mais sustância ao buffet. No início do segundo semestre a reativada fábrica de discos relança na série Clássicos em Vinil álbuns fundamentais de Jorge Ben (África Brasil e A Tábua de Esmeralda), Tom Zé (Todos os Olhos e Estudando o Samba) e os marcos do rock oitentista paulistano Cabeça Dinossauro (Titãs) e Nós Vamos Invadir Sua Praia (Ultraje a Rigor).

Até o fim do ano ainda saem os dois primeiros homônimos dos Secos & Molhados (1973 e 1974), mais Tom Zé (Correio da Estação do Brás), os outros dois melhores dos Titãs (Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas e Õ Blésq Blom) e Ultraje (Sexo). "Muitas o outras surpresas deverão acontecer pelo caminho", diz João Augusto, um dos sócios da Polysom e presidente da gravadora Deck, que distribui os discos.

Além dos clássicos, a gravadora criou um selo, Vigilante, para lançar novos artistas. Os primeiros já confirmados são Colombia Coffee, Volantes, Boss in Drama, Vivendo do Ócio e The Name.

"Em termos de repercussão, nem mesmo nós esperávamos tamanha explosão midiática com os relançamentos", diz João. "Com relação às vendas, as lojas e os consumidores que compraram demonstraram muita satisfação. Como ainda estávamos iniciando o processo comercial, não atingimos adequadamente alguns locais, como os Estados fora do eixo Rio-São Paulo, situação que muda já a partir desse mês, com as vendas sendo assumidas pelos profissionais da S&D Microservice."

Para ele, a ideia de licenciar os clássicos para lançamento e distribuição pela própria Polysom nasceu da convicção de que essa atitude "animará as grandes proprietárias de masters a lançarem seus clássicos, bem como seus lançamentos recentes", como fazem todas as gravadoras lá fora. Portanto, João acredita que seu projeto só se estenderá se continuar tendo apoio das gravadoras e bons títulos para lançar. "Títulos que mereçam ser chamados de Clássicos em Vinil e que tenham seus sons reproduzidos dos tapes originais, que tenham 180 gramas e que mereçam o adesivo maravilhoso, dourado e preto, que criamos para a série."

Enfim, são bons títulos esses do novo pacote, mas não seria mais interessante relançar discos raros que nunca saíram em CD, como vários de bossa nova e samba-jazz? "Estamos atentos a tudo o que pode fazer alguma diferença no mercado e não temos muitos entraves para lançá-los, pois já temos uma estrutura montada para isso, que vem funcionando há muito tempo. Há muito a ser lançado e nossa intenção é que os próprios donos dos repertórios o façam", diz João, que tem licença para relançar alguns títulos da Warner e da Universal, além da própria Deck.

O alto custo para o consumidor ainda é um entrave na retomada do vinil - que, como o CD, nunca foi barato no Brasil. "Essa é nossa única insatisfação. Queríamos popularizar o vinil imediatamente, mas com uma escorchante malha de impostos que chega a 66% do preço final, teremos que adiar esse desejo."

O QUE VEM POR AÍ

A Tábua de Esmeralda (1974)

Com letras existencialistas inspiradas no faraó egípcio Hermes Trismesgisto, é um dos álbuns mais populares de Jorge Ben

África Brasil (1976)

Clássico da modernidade afro-brasileira, é outro dos discos imprescindíveis de Ben, que fundamentou o samba-rock com funk. Umbabaraúma está lá. Nós Vamos Invadir

Sua Praia (1985)

LP de estreia bombástica do grupo paulista Ultraje a Rigor, que vinha de dois compactos. Quase todas as faixas viraram hits Cabeça Dinossauro (1986) O grande álbum dos Titãs em sua formação original, mais voltado para o punk rock e o primeiro com produção de Liminha

Estudando o Samba (1976)

Subestimado no lançamento, foi o disco responsável por tirar Tom Zé do limbo, quando David Byrne o descobriu num sebo

Todos os Olhos (1973)

Além de criar polêmica com a capa (pela foto de uma bola de gude em um ânus imitando o olho), Tom Zé emplacou o hit

Augusta, Angélica e Consolação

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