Dos saraus aos grandes concertos

Mário de Andrade escreveu certa vez que "os sons ilustres da música internacional nunca teriam soado na cidade se não fosse o esforço e a dedicação da Sociedade de Cultura Artística".

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h08

O depoimento ajuda a compreender a importância da associação, que foi fundada com o objetivo de "promover a popularização das obras de arte e literatura nacionais, pelo meio imediato de conferências públicas acompanhadas de concertos musicais", como dizia o anúncio de criação publicado em 1912 no Estado.

A associação era composta, por advogados, médicos, jornalistas e comerciantes, liderados por Nestor Pestana, então editor-chefe do Estado, atentos a um momento de transformação da cidade de São Paulo. Em pouco menos de 20 anos, o número de habitantes havia triplicado, a indústria dava os primeiros passos em direção a uma grande arrancada e os imigrantes substituíam a mão de obra escrava na atividade cafeeira e em trabalhos como a construção de estradas de ferro. A Sociedade de Cultura Artística, assim, surgia com o intuito de acompanhar, no campo das artes, as mudanças em outros setores da sociedade.

O primeiro sarau foi realizado em 26 de setembro de 1912, quando foram proferidas conferências sobre a obra de Raimundo Correia e Álvares de Azevedo e apresentadas peças para piano e canções. O teatro de prosa apareceria pela primeira vez na programação em 1919, com a peça O Contratador de Diamantes, de Afonso Arinos. A ópera chega no mesmo ano, com Tristão e Isolda, de Wagner. Compositores, como Henrique Oswald e Francisco Braga, fazem primeiras audições de suas obras, o que também ocorreria mais tarde com Camargo Guarnieri. Na dança, a SCA, que foi dirigida por personalidades como Ester Mesquita e José Mindlin, apresentou as companhias de Diaghilev e de Anna Pavlova.

Ao longo das décadas, a música acabaria se impondo na programação, atraindo artistas como os pianistas Guiomar Novaes, Arthur Rubinstein, Claudio Arrau, Daniel Barenboim e orquestras, como as filarmônicas de Viena e Nova York e a Sinfônica de Chicago. Em 2008, um incêndio queimou o teatro, que está sendo reconstruído a partir de um projeto de ampliação das instalações (foto). / J.L.S.

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