Leo Aversa/Divulgação
Leo Aversa/Divulgação

Dos palcos ao CD, a beleza de uma voz

Soraya Ravenle interpreta Paulo César Pinheiro em CD solo

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2011 | 00h00

RIO - Vinte e cinco anos de palco, 21 espetáculos musicais na bagagem, e chega o primeiro - e antecipado - CD. Arco do Tempo (Biscoito Fino) é um presente que Soraya Ravenle dá aos fãs que seguem sua bela voz no teatro. Ela canta 11 inéditas e quase inéditas de Paulo César Pinheiro, compositor que ama desde que sua poesia lhe foi apresentada na voz das maiores - Elis, Clara, Elizeth. Já na faixa de abertura, que leva o nome do CD, apodera-se dos versos definidores: "Meu canto jamais vai ter paradeiro".

O projeto vem de seis anos atrás, e foi sendo postergado por conta da sucessão de musicais - o primeiro foi A Estrela Dalva, o último, É com Esse Que Eu Vou, e o próximo, Um Violinista no Telhado, que estreia em maio. No palco do Espaço Sesc de Copacabana, onde encerra amanhã a temporada de lançamento, Soraya mostra que valeu a pena esperar. "Eu tinha medo de assumir esse lugar da cantora fora do musical. Acabei gravando num momento de mais maturidade. Mas fiquei insegura: em todo trabalho novo parece que eu estou num sapato novo, amaciando. Me sinto numa arena mesmo", ela conta, brincando com a configuração do teatro do Sesc.

Para o público que o tem enchido há duas semanas, não parece haver traço de nervosismo ali. Da abertura, com Arco do Tempo, ao bis, com o samba-de-roda Senhorá (Paulo com Roque Ferreira), a baixinha vira gigante. É dona do pedaço.

A atriz aparece o tempo todo, na interpretação dramática do tango Cristal Lilás (música de Maurício Carrilho), nos desaforos de Carta Branca (da dupla com Baden Powell), na emoção de Serenata Antiga (Sérgio Santos), na movimentação do frevo Ninho de Vespa (Dori Caymmi), da ciranda Lua Candeia (Lenine) e do sambão Canta Essa Melodia (outra com Maurício Carrilho).

No CD, foram incluídos os sucessos dos anos 70 Viagem (com João de Aquino) e Súplica (João Nogueira); para o show, ela pinçou também Lapinha e Vou Deitar e Rolar (ambas parcerias com Baden). Mas desde o início a ideia era mesmo privilegiar as tantas composições desconhecidas de Paulo, "gênio da raça" de Soraya. "Ele é quase um dramaturgo, mapeia este Brasil continental. Vai do cheiro de terra molhada do interior à briga de um casal na cidade grande", justifica a cantora niteroiense, que, em duas tardes com Paulo, ouviu, precisamente, 124 de um total de 2 mil inéditas.

No show, dirigido por outro parceiro, Gustavo Gasparani, e no CD, quem a acompanha é Alfredo Del-Penho, múltiplo como ela. A seu lado nos palcos pelos quais passaram Sassaricando e É com Esse Que Eu Vou, o cantor, violonista e pesquisador musical assina produção e arranjos.Ele é um dos grandes entusiastas desse voo de "estreia" de Soraya, que já havia lançado CD coletivo - com o grupo de que participou nos anos 90, o Arranco de Varsóvia. "Ela não podia deixar de gravar. Não é uma atriz que canta, é uma grande intérprete. É um pecado não ter gravado antes."

SORAYA RAVENLE

Sesc Copacabana. R. Domingos Ferreira, 160, (21) 2547-0156. Hoje e amanhã, às 21 h. R$ 16.

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