Dora L.Bahia

Pintora, a paulistana não faz separação rígida entre meios de produção; assim, realiza projetos diversificados, como dirigir um filme ou um programa de rádio

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

Dora, me conta o que você está produzindo agora? Sua última exposição individual foi no ano passado, Trash Metal, na Galeria Vermelho...

Estou fazendo uma grande pintura sobre a ocupação do Morro do Alemão, tem 3 m x 5,40 m. E um filme, que está em pós-produção, parte do projeto Destricted, de um curador inglês, em que vários artistas fazem curtas que ligam pornografia, erotismo e arte.

Desde quando você está trabalhando o filme? Qual é o título?

Desde dezembro do ano passado e já está na hora de estrear. O título é Petit a, que é um termo do Lacan. Tem 20 minutos.

E você trouxe para esse curta alguma coisa do universo das suas pinturas, fotografias e vídeos?

Acho que tem uma relação com o cinema. Fiz quase que uma série de homenagens aos meus cineastas preferidos. São três cenas: uma é releitura de A Chinesa, do Godard, para mim, uma obra-prima; outra é inspirada no David Lynch; e fiz uma relação também ao Lars von Trier e a câmera na mão. Tem ainda o Laranja Mecânica (do Kubrick). Não é um pornô clássico. É um filme de arte. São filmes que falam de sexo, mas de outra maneira.

Tudo feito em São Paulo?

Isso. Tem uma cena feita numa Maria Fumaça que vai entre a Mooca e o Brás, outra, no (bar) Z Carniceria; e na cozinha da Neka Menna Barreto. Já editei. O som é música que fiz com minha banda nova, Blablablá. Fizemos a trilha, cantada pela (artista) Chiara Banfi, que tem uma voz linda. Um monte de gente participa, alguns amigos. Tem o (professor) Vladmir Safatle, atores do Zé Celso também, como a Camila Mota. Espero que estreie logo e, se der certo, pode ser que seja aprovado para o festival de Cannes. Para mim, é a primeira experiência que tenho de superprodução, usar atores contratados.

E qual será a próxima exposição que vai fazer?

Vou participar, em setembro, de uma exposição na Colômbia, em Medilín, chamada MDE11. Um dos curadores é o José Roca e ele me chamou para realizar um programa de rádio, já que não consegui fazer na Bienal (de São Paulo) de 2008. Será uma releitura de A Guerra dos Mundos, de Orson Welles (de 1938).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.