Dor traduzida em emoção poética

"Todos os projetos, aqui, terminaram traídos", esclarece a poeta Mariana Ianelli, de 31 anos, na abertura de Treva Alvorada, seu quinto livro, recém-lançado pela Iluminuras. Foi uma espécie de infidelidade artística à circunstância emocional que a estimulou a escrever ao longo de dois anos. Os 45 poemas começaram a ser delineados quando a saúde de seu avô, o artista plástico Arcângelo Ianelli (1922- 2009), já estava frágil. "O tempo que culminou com a morte dele foi doloroso e me levou ao enfrentamento de muita coisa, ao questionamento da fé e dos limites a que pode chegar um homem submetido a uma provação física e moral", diz a paulistana. "Mas o que era sofrimento pessoal se transmudou em emoção poética, e isso levou a um trabalho intenso, uma alquimia verbal."

, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

O resultado se faz perceber em poemas que tratam de dramas humanos e nos quais elementos míticos e temas como a guerra e o pacto com o outro aparecem na abordagem dos dias atuais. Caso, por exemplo, de Hera nos Campos ("Nua feito Jerusalém/ Deserta, esquece/ O corpo usufruído..."), que Ianelli diz ter feito com o pensamento "naquela criança vietnamita, nua, correndo de braços abertos, sobrevivente da guerra", e de Além do Equador ("... O quanto pode suportar/ Um homem/ Uma vez extorquido, sequestrado..."), cuja origem, ela afirma, foram os prisioneiros das Farc. / R.C.

TREVA ALVORADA

Autora: Mariana Ianelli. Editora: Iluminuras (R$ 35, 128 págs.).

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