Donato baila em Cuba, sem ensaios

Filme registra o encontro do brasileiro com músicos cubanos em contagiantes jam sessions

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

Caipirinha de rum cai bem? No sentido figurado, quando se trata de misturar os ritmos brasileiros e cubanos, a receita do coquetel é infalível. Ainda mais se o bartender for João Donato, como se vê no documentário Nasci para Bailar - Havana-Rio (Biscoito Fino), que sai agora em DVD depois de ser exibido em vários festivais. Alternando depoimentos e cenas de shows, o filme dirigido por Tetê Moraes é um registro de encontros prazerosos de Donato com jovens músicos cubanos fazendo suas descargas sonoras, em total clima de informalidade.

Em 2008 Donato foi a Cuba com seu piano e um trio brasileiro (o baterista Robertinho Silva, o baixista Luiz Alves e o saxofonista Ricardo Pontes) para participar do Festival Internacional Jazz Plaza. Rodaram pela cidade de Havana e se envolveram em contagiantes jam sessions com músicos locais, que manifestam grande entusiasmo pela oportunidade de tocar com essa lenda brasileira, como diz o saxofonista César López: "Quando eu for velhinho poderei dizer que toquei com um homem que colocou a bossa nova no mundo, que se chama João Donato".

O deslumbre de Donato não é menor. Afinal, sua música tem relação com Cuba e o Caribe há décadas e está acima de rótulos e fronteiras. Na época em que morou nos Estados Unidos conheceu uma das lendas cubanas, o percussionista Mongo Santamaria (1917-2003), que o convidou para integrar o grupo Nuevo Ritmo de Cuba, já extinto. Foi nesse grupo que Donato aprendeu a tocar o tumbao, que é um estilo cubano de tocar em três tempos.

Durante muito tempo ele diz que sonhava realizar esse encontro de músicos brasileiros com cubanos, "sem muito preparativo, juntar a música desses dois países tão distantes e tão juntos espiritualmente". Temas tradicionais de Cuba se fundem a clássicos de Donato, como Amazonas, Bananeira, Nasci Para Bailar.

Como diz o próprio Donato, "deu uma mistura sensacional". E o espectador vê nitidamente "a felicidade estampada na fisionomia dos que estavam envolvidos". Só em A Rã eles ficaram improvisando por quase meia hora. "Pelo tempo que a música demorou se explica a satisfação que tivemos em fazer aquilo, ou seja, tocar juntos sem ensaios."

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