"Dona Flor" da TV ganha versão digital

Quem se choca com a neurose da Heloísa de Mulheres Apaixonadas precisa ver Giulia Gam na minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado, que a Rede Globo exibiu em 1998 e agora lança em DVD, em versão mais reduzida que o vídeo que saiu logo depois.Mais que contar a história da professora de arte culinária dividida entre a segurança do farmacêutico Teodoro e a estroinice do jogador Vadinho, a Dona Flor da televisão é um show de atores. "O DVD é a versão de que mais gosto", diz o diretor, Mauro Mendonça Filho.O pai dele, Mauro Mendonça, fazia o farmacêutico no filme, versão mais famosa do romance, com Sônia Braga e José Wilker, sob direção de Bruno Barreto. Nos anos 70, foi visto por 12 milhões de pessoas. Relançado em VHS em 2001, quando completou 25 anos, vendeu 50 mil fitas, mas não há previsão de DVD para ele.Com supervisão de Guel Arraes, a Dona Flor da Globo fez de Edson Celulari o Vadinho e de Marco Nanini, o farmacêutico. E como resistir à rabugice de Walderez de Barros (dona Rosilda, mãe de Flor) em contraponto com a doçura de Suely Franco (a vizinha dona Norma)? Ou à malandragem de Chico Diaz (Mirandão, amigo de Vadinho)? Isso sem esquecer o show de Myriam Muniz (a perversa dona Miloca, mãe do farmacêutico) duelando com Lília Cabral (Violeta, a noiva frustrada). No livro de Amado, ela é citada de passagem, como outros personagens da adaptação que Dias Gomes, Marcílio Moraes e Ferreira Gullar fizeram para a TV.O enredo sai dos cassinos legais dos anos 40 para os clandestinos dos 90. A Dona Flor da TV não foi o estouro do cinema, mas impulsionou a leitura do romance.

Agencia Estado,

03 de junho de 2003 | 17h16

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