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Domingos Oliveira participa da Mostra com filmes e palestra

Cineasta também receberá o troféu Leon Cakoff, que premia artistas por seu legado humanitário

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

24 Outubro 2012 | 03h11

Em seus últimos anos de vida, Ingmar Bergman cumpriu sempre o mesmo ritual. Após o réveillon, para iniciar o ano, ele assistia a um velho filme mudo de Victor Sjöström, cujas imagens utilizou em Morangos Silvestres - A Carroça Fantasma. O personagem de Domingos Oliveira também tem seu filme preferido e, após o tumultuado réveillon em sua casa na região serrana do Rio, em Primeiro Dia de Um Ano Qualquer, ele se isola para ver A Felicidade Não se Compra, It's a Wonderful Life, de Frank Capra.

Num encontro no Rio, após a exibição de Primeiro Dia na Première Brasil, Priscila Rozenbaum - atriz e roteirista, companheira de Domingos na arte e na vida - lamentou que, na correria da finalização, eles haviam perdido a data das inscrições para a Mostra. O repórter comentou o caso, no jornal e no blog, a organização da Mostra não apenas vai exibir o filme como exibirá também outro longa que o diretor tem pronto. Não um, portanto, mas dois Domingos na Mostra de 2012. E mais - ele dá hoje às 12 horas no MIS seu depoimento na série Os Filmes de Minha Vida (ontem foi o editor do Caderno 2, Ubiratan Brasil) e ainda receberá o troféu Leon Cakoff, que premia grandes artistas por seu legado humanitário. Domingos se equipara, assim, a Manoel de Oliveira, Atom Egoyan e Eduardo Coutinho.

São quase 50 anos de carreira - ou 46, tomando como base Todas as Mulheres do Mundo, que Domingos realizou em 1966. Em plena era de politização do Cinema Novo, surgia um filme cuja política era do amor e do sexo. Como Alice, Leila Diniz olhava para a câmera e, embalada na música de Gabriel Fauré, virava objeto de desejo de Paulo, Paulo José. Só dele? Leila virou mito e libertou, como escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade, as mulheres brasileiras do jugo de sua particular escravidão.

Ao longo de décadas, Domingos não tem sido uma unanimidade. Houve momentos em que ele parecia querer engessar o cinema brasileiro na sua maneira de ver o mundo e a produção (de baixo orçamento, sempre). Não importam divergências de momento. As quatro, quase cinco décadas, foram prodigiosas. E Domingos tem sabido se reinventar. Primeiro Dia de Um Ano Qualquer é seu melhor filme em muito tempo.

Gravado (em digital) no Rio, no sítio da atriz Maitê Proença, o filme teria custado R$ 1,8 milhão em condições normais, mas no regime cooperativado de Domingos e de sua produtora Tereza Gonzalez ficou por R$ 80 mil. Domingos tem feito teatro e cinema coletivos, com base no comprometimento de amigos e colaboradores. E continua falando de amor, e fazendo sua arte para servir aos atores. No Primeiro Dia, um grupo se reúne, casais se separam e se formam. Há muita música, mas você quase não sente. O cinema, gosta de dizer Domingos, e não sem humor, tem dois inimigos, a imagem e o som. Sua arte consiste em fazer dos inimigos aliados. Além de Primeiro Dia, ele exibe aqui o inédito Paixão e Acaso. Outro filme de amor, ou alguém tem alguma dúvida?

PRIMEIRO DIA DE UM ANO QUALQUER

Cinesesc - 5ª, 19h20

Reserva Cultural - 6ª, 17h35

Cine Livraria Cultura - Dom., 17h50

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