Doméstica e quatrocentona?

Sobrenome imponente é apenas um dos mistérios da Olga de Passione

Patrícia Villalba / RIO,

14 de outubro de 2010 | 07h00

 

Debora Duboc vai completar 20 anos de carreira no ano que vem. E apesar da trajetória impecável, especialmente no teatro, ela faz uma novela pela primeira vez agora, como a Olga, de Passione. Nos calcanhares da vilã Clara (Mariana Ximenes), a personagem faz os noveleiros soltarem a imaginação. Será que ela é mais do que "a governanta dos Gouveia?" Será que é mesmo uma vingadora? A atriz compartilha dessas dúvidas. "Fico ansiosa esperando os capítulos chegarem", conta ela, nesta entrevista ao Estado:

 

 

Por que você demorou tanto para fazer TV?

 

Olha, não sei. Sempre trabalhei muito no teatro e no cinema. Mas agora tenho a sensação de que veio na hora certa.

 

 

Quem te convidou para a novela, o próprio (autor) Silvio de Abreu?

 

Sim, o convite veio do Silvio. Ele conhece meu trabalho há um bom tempo, vai às minhas estreias no teatro. Quem falou de mim para ele, um pouco mais lá atrás, foi a Cleyde Yáconis. Ela viu uma peça do Arthur Schniztler, Senhorita Else, e me ligou. O Silvio me falou: "A Cleyde é megafone do seu trabalho no Projac."

 

 

O que ele falou sobre a Olga?

 

Ele me falou que a Olga teria uma participação intensa nos três primeiros capítulos, e que ela seria presa e que depois eu ficaria um pouco fora do ar. Ele disse "depois ela volta", mas não me disse o que era. Sou fã do Silvio, tenho paixão pelo texto que ele produz. Quando ele me fez o convite, eu disse sim imediatamente, nem pensei se a personagem teria uma grande participação ou não. E ele disse que me colocaria no núcleo dos bambas do teatro e do cinema. Só por isso, já estava feliz. Agora, vejo o histórico das cenas da Olga e percebo que foram escritas com a atenção e a sabedoria de quem conhece a atriz, e o que ela pode fazer. Me sinto protegida.

 

 

E como está sendo lidar com a fama, ao mesmo tempo em que tem tanta experiência?

 

É muito louco o que a TV representa na exposição do ator. Eu não era conhecida do grande público e é impressionante como as pessoas criam uma intimidade de você. Se fosse anos atrás, talvez eu me sentisse invadida e não soubesse lidar. Mas hoje, talvez por saber que tudo é tijolinho por tijolinho e que o glamour é construído para vender o filme, o ator, a novela, tenho a consciência de que sou uma operária. Isso me ajuda a não me perder no canto da sereia. Mas confesso que estou adorando que venham falar do meu trabalho. Adoro escutar os comentários e as teses sobre a Olga. Ela inspira um ficcionista em cada telespectador.

 

 

É porque ela é muito misteriosa. Qual seu palpite sobre ela?

 

Sabe, eu estava pensando: ela tem um sobrenome quatrocentão, Junqueira. Os Junqueiras foram barões do café, depois usineiros. Até isso eu já pensei. Ela é uma empregada com nome de quatrocentona. Mas não quis ficar tentando definir o caminho dela, aceitando a personagem com a energia que realmente a constrói. Procurei deixar sempre aberta uma porta para ela ser o que tiver que ser. Com distanciamento, olho e acho que ela pode tanto ser vilã como íntegra e boa. Hoje ela tem esses dois caminhos.

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