"Dom Quixote" celebra 400 anos com edição definitiva

Depois de mais de dez anos de um trabalho que envolveu a pesquisa em diversas edições para encontrar erros e redigir notas, a versão definitiva de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, acaba de ser lançada na Espanha. Trata-se de uma suma quixotesca, uma enciclopédia cervantina que se presta tanto ao prazer da leitura como a estudos. A nova edição é o eixo em torno do qual se comemorará, ano que vem, o quarto centenário desse livro, um dos pilares da literatura universal. Com capa dura e papel-bíblia, o novo Quixote, publicado pela editora Galaxia Gutemberg, em colaboração com o Instituto Cervantes, inclui dois volumes: o primeiro, com 1.349 páginas, é o texto de Cervantes revisto e atualizado, com prólogo em oito capítulos do filólogo Fernando Lázaro Carreter, morto recentemente, que apresenta dados fundamentais para a compreensão do livro com base na vida e na cultura de Cervantes; o segundo são 1.446 páginas reunindo apêndices, notas e ilustrações que reproduzem a indumentária, os armamentos e objetos da vida cotidiana evocados no romance, além de uma série de mapas da região onde transcorrem as peripécias do fidalgo castelhano e seu amigo Sancho Pança. Completa a edição um CD-ROM com um banco de dados de fácil manejo que permitirá ao usuário, entre outras facilidades, buscar qualquer palavra, família de palavras ou conjuntos de termos que aparecem na obra cervantina. Segundo o coordenador do trabalho, o acadêmico Francisco Rico, agora está à disposição de leitores, estudantes e estudiosos tudo o que se disse e escreveu até hoje sobre o cavaleiro da Mancha. "Nosso objetivo foi fazer uma leitura crítica e minuciosa de cada capítulo e colocar em dia a imensa bibliografia acumulada em torno do livro", explica. Para isso foram utilizadas desde a edição da Academia de Letras espanhola, de 1780, até a versão do próprio Francisco Rico, de 1998.O lançamento dessa ambiciosa edição de Dom Quixote, vendida na Europa por 50 euros (R$ 180), atende à proposta do primeiro-ministro José Luis Dominguez Zapatero de dar novo sopro à cultura espanhola, dedicando o ano de 2005 ao quarto centenário da obra de Cervantes. Num encontro recente em Madri, Zapatero e o rei Juan Carlos II receberam filólogos para um encontro que serviu de ponto de partida para as comemorações de mais um centenário do livro.

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