Ng Han Guan/ AP
Ng Han Guan/ AP

Dolce & Gabbana pede perdão aos chineses após polêmica por racismo

Em vídeo, Stefano Gabbana e Domenico Dolce dizem que 'pensaram seriamente' e que estão 'muito impactados por todo o acontecido'

EFE

23 Novembro 2018 | 13h09

A marca italiana Dolce & Gabbana pediu desculpas nesta sexta-feira, 23, ao público chinês após a polêmica pela publicação de um vídeo considerado racista contra a China, que levou a firma a cancelar um desfile em Xangai e que está afetando suas vendas no país asiático.

"Sentimos muito e queremos pedir desculpas aos chineses no mundo todo", dizem Stefano Gabbana e Domenico Dolce em um vídeo de desculpas publicado no Weibo, equivalente ao Twitter na China.

Na terça-feira, a Dolce & Gabbana foi obrigada a cancelar um desfile previsto na cidade de Xangai após a polêmica suscitada por vídeos publicitários, nos quais uma mulher chinesa aparece tentando comer com dificuldade comida italiana utilizando hachi, que foram considerados racistas.

No vídeo, de um minuto e meio de duração, Stefano Gabbana e Domenico Dolce aparecem sentados na frente da câmera para assegurar que "pensaram seriamente" e que estão "muito impactados por todo o acontecido" e o dano que causaram.

"Na nossa família nos ensinaram a respeitar a diversidade de todas as culturas do mundo, e nos desculpamos se cometemos o erro de interpretar vocês assim", diz Gabanna em italiano no vídeo, com legendas em inglês e em chinês.

"Amamos a cultura chinesa, visitamos o país muitas vezes", diz o estilista, acrescentando que "nunca" esquecerão a lição.

"Não acontecerá mais", afirma Dolce, que pede perdão "de todo coração" e implora ao público chinês que aceite suas desculpas.

A crise não parece melhorar e os artigos da Dolce & Gabbana já não são encontrados em plataformas de compra online como as populares Taobao.com, JD.com e Amazon China.

Além disso, a rede de varejo Lane Crawford afirmou que vai retirar a marca de suas lojas e plataformas online na China depois de os clientes devolverem artigos da marca italiana, afirmou hoje o jornal de Hong Kong South China Morning Post.

Alguns usuários do Weibo inclusive mostraram imagens de pessoas atirando os produtos da firma e alguns funcionários de lojas retirando os artigos.

O cancelamento do desfile de terça-feira aconteceu depois que várias modelos que iriam participar se negaram, depois que foi revelado supostas mensagens privadas de Gabbana nas quais falava com desprezo sobre o país asiático: "um país de merda" e "ignorante".

Através das redes sociais, o estilista desmentiu os mesmos e garantiu que sua conta tinha sido hackeada. Posteriormente, a marca lamentou o "infeliz" cancelamento de um evento com o qual queriam "homenagear a China".

O caso indignou fortemente a sociedade chinesa e sobre ele se pronunciou o próprio Ministério das Relações Exteriores cujo porta-voz Geng Shuang respondeu nesta quinta-feira, 22, a uma pergunta dos jornalistas e disse que o incidente "não é um assunto diplomático".

 

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