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Dolce & Gabbana mistura vestidos longos tradicionais e peças streetwear

Grife apresentou um ingrediente surpresa no meio dos clássicos na última Semana da Moda de Milão

Maria Rita Alonso, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2017 | 16h34

O grande desafio da grifes hoje é manter um pé na tradição, reafirmando sempre suas convicções de estilo, e o outro no que é novo e tem frescor. Domenico Dolce e Stefano Gabbana, juntos desde 1985, lidam com esse paradoxo há anos – e conseguem se superar. Na alta moda, recém-desfilada em Milão, a dupla de estilistas italianos trouxe vestidos de festa, smokings e peças de gala em alfaiataria, casacos de pele e joias pesadas. Uma coisa mais exuberante do que a outra, com estampas pintadas à mão, rendas finas, bordados muito rebuscados e detalhes excêntricos. Só que agora, entre os clássicos, eles introduziram um ingrediente surpresa: o streetwear.

As transgressões na couture ficaram por conta do jeans com pedrarias e adornos coloridos, suéteres de pele, doudoune com capuz gigante, camisetas decoradas e até chinelos tipo Ryder (lembra deles?), que voltaram à moda – os da Dolce & Gabbana são forrados de visom!

O teste para a ousadia foi feito na temporada anterior, apresentada em Nápoles, na qual pela primeira vez uma calça jeans surgiu entre os longos. Conclusão? Virou objeto de desejo. Os poucos pares à venda esgotaram-se. Cada um deles custava cerca de ¤ 50 mil.

“Estamos de olho na próxima geração”, disse Stefano Gabbana ao Estado. “Queremos atrair também os filhos das nossas clientes. A nossa vibe agora é essa, buscamos inspiração na juventude dos anos 1980 para engajar os jovens de hoje.” No início do ano, os estilistas estrelaram a campanha da coleção masculina com filhos de famosos. Em fotos festivas e animadas estão Presley Gerber, filho de 17 anos de Cindy Crawford; Brandon Thomas Lee, filho de Pamela Anderson e Tommy Lee; Gabriel Kane, 21, filho de Daniel Day-Lewis; e Rafferty Law, 20, de Jude Law.

No desfile feminino, a faixa etária entre as modelos era parecida. Foram 100 looks, em 100 meninas, ou seja, um desfile longo, já que normalmente estilistas colocam de 20 a 50 produções na passarela. “Somos italianos. Preparamos o aperitivo, a entrada, o primeiro prato, o segundo, a fruta, a sobremesa, o café e o limoncello”, disse Dolce. “Por que agiríamos de outra maneira em relação à alta moda? A ideia é oferecer o pacote completo para que todos desfrutem do nosso lifestyle.”

E que lifestyle! Como parceiros e patrocinadores do Teatro alla Scala de Milão e amantes de Puccini, Toscanini e Verdi, eles têm entradas em um dos grandes palcos da ópera mundial. O desfile feminino, por exemplo, foi no Laboratori Ansaldo do alla Scala, edifício onde são confeccionados os figurinos usados nas óperas da cidade.

As influências e inspirações das roupas refletiam um mix cultural e, às vezes, até engraçado, reforçando estereótipos e apresentando novas versões para antigas personagens da ópera italiana como a gueixa de Madame Butterfly e outras princesas, ciganas e piratas. No final das contas, a alta moda acaba sendo um extraordinário entretenimento, principalmente para quem tem dinheiro para gastar.

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