CORTESIA DOLCE & GABBANA
CORTESIA DOLCE & GABBANA

Dolce & Gabbana declaram amor ao México em desfile que evoca de Frida Kahlo aos mariachis

“Pegamos ingredientes da cultura mexicana e tentamos torná-los especiais da nossa maneira”, disse Dolce

Maria Rita Alonso  , CIDADE DO MÉXICO 

22 Abril 2018 | 06h00

Focado nos detalhes, Domenico Dolce arranjava gérberas e caveiras no cabelo de uma modelo, enquanto Stefano Gabbana fazia videozinhos para o stories do Instagram (na qual tem mais de 1 milhão de seguidores), registrando a excitação dos bastidores antes do desfile. Em uma espécie de roadshow pela América, a dupla armou mega-apresentação na Cidade do México, na quarta, 18. A passarela foi estendida no museu Soumaya, uma joia da arquitetura futurista, que abriga a coleção de arte particular do bilionário Carlos Slim – amigo recente dos estilistas graças ao artista plástico brasileiro Romero Britto, que fez a ponte numa temporada de moda em 2016.

“Pegamos ingredientes da cultura mexicana e tentamos torná-los especiais da nossa maneira”, disse Dolce, antes do show. “Talvez alguns deles sejam óbvios demais, mas é isso que amamos, fomos espontâneos.” Para uma grife na qual o mais é sempre pouco, o show não poderia ser mais passional. Os modelos circularam em torno de dezenas de esculturas de Rodin, na galeria do topo do museu, exibindo as coleções de Alta Moda e Alta Sartoria da grife italiana – que compete em luxo e exclusividade com peças da alta-costura de Paris. 

Feito sob medida, com sedas pintadas à mão e bordados minuciosos que levam meses para serem concluídos, um vestido dessa linha pode custar por votla de € 100 mil. Sombreros, boleros dos músicos de mariachi, rebozos (xales que cobrem a cabeça), coroas de flores à la Frida Kahlo, catrinas (também conhecidas como Caveiras Garbanceiras) deram o tempero mexicano aos vestidos com saias volumosas e rendas delicadas, em uma salada de referências que ainda contemplou uma estampa inspirada em um painel de Romero Britto. “Quando se trata de cultura, nada é brega. Uma nação tem que ter orgulho dos seus signos, suas tradições”, afirma Dolce.

A carga de emoção na apresentação de sangue latino causou comoção na plateia. “Eu me arrepiei ao ver os vestidos, que trazem a dramaticidade dos estilistas e a visão que eles têm do México”, disse Francelia Rodriguez Ceballos, editora-chefe do Fashion Network México. 

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Na lista de convidados especiais estava Sophia Loren, ícone do cinema italiano, e um time de millennials, nova fixação de Domenico e Stefano. A socialite Michelle Salas, filha do cantor mexicano Luís Miguel, o youtuber Juanpa Zurita e o ator Diego Boneta eram algumas das personalidades que falavam com suas câmeras em modo selfie, orgulhosos da homenagem ao seu país e emocionados com a trilha sonora (Luís Miguel, claro). “Quando vi os vestidos surgindo com aquela música, me deu até vontade de tomar uma tequila”, confessou animado, Gabriel Valdez, editor da revista Haunted. 

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O momento era de festa, mas a presença da primeira-dama mexicana, Angelica Rivera, e da sua filha, Sofía Castro, causou críticas nas redes, já que o país vive um momento político conturbado e terá eleições presidenciais este ano.

O show da Dolce & Gabbana ocorreu dias antes da México Fashion Week e faz parte de uma estratégia da grife para reforçar sua presença na América Latina. Só no ano passado, a etiqueta inaugurou duas lojas pop-up e seu primeiro outlet em solo mexicano. Desfilar a linha mais luxuosa também foi uma boa ideia. “É como visitar a casa de alguém que você gosta e levar o melhor presente que se possa dar”, compara Gabbana. No caso deles, melhor dizendo, vender.

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