Dois inéditos na caixa preta

A Caixa Preta (Selo Sesc), de Itamar Assumpção, é digna da intensa obra do compositor, em edição com a qualidade técnica que sua condição de artista independente não conheceu. Com ilustrações de Antonio Peticov, um livreto reúne textos de Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Thaíde. Elke Maravilha, Carlos Rennó, Théo Werneck, Patrícia Palumbo e outros. A caixa vai custar R$ 150, mas será vendida a R$ 120 nas noites de shows de lançamento do projeto.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2010 | 00h00

Além dos dois inéditos - Pretobrás II e III -, produzidos este ano, os outros dez álbuns foram remasterizados e ganharam edição em formato de mini-LP, com reproduções dos encartes originais. O material gráfico é de primeira linha. Às Próprias Custas S/A (1982), gravado ao vivo, conta com uma faixa-bônus, um cover de Não Vou Ficar, de Tim Maia, até agora inédito em disco.

O álbum de estreia de Itamar, Beleléu Leléu Eu (1980) é um clássico que justifica a bandeira da vanguarda paulistana, com aquela fusão inclassificável de diversos estilos de música negra (ou do gueto, como diz Thaíde), letras incisivas e a entrada de cena do personagem Nego Dito. Como lembra Paulinho Lepetit, aos poucos esse personagem foi se diluindo e Itamar passou a se preocupar mais com a poesia (foi parceiro de Paulo Leminski, Alice Ruiz, entre outros) e a elaboração de seu estilo. É notável seu crescimento musical de um disco para outro - mas as fichas todas já tinham sido jogadas em Beleléu.

O maior atrativo da caixa, porém, são os álbuns inéditos, com uma qualidade de som e produções impecáveis de Beto Villares e Lepetit, além de interpretações marcantes de Zélia Duncan, Seu Jorge, Elza Soares, Arnaldo Antunes, e outros para canções desafiadoras, além da voz do próprio Itamar.

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