Dois anos depois, "Código Da Vinci" mantém sucesso

Há dois anos, a editora Doubleday publicou um romance que misturava história e suspense, anunciando uma primeira edição com 85 mil cópias e grande expectativa de que o pouco conhecido autor, Dan Brown, conseguisse atrair o público. "Nós esperávamos que fosse um sucesso, mas não acho que alguém sonhou que o livro se tornaria uma publicação história", diz Stephen Rubin, presidente editor da Doubleday. Se a série Harry Potter é considerada leitura básica dos jovens, então O Código Da Vinci ganhou o posto para os adultos. Um sucesso desde quando foi lançado, a controversa mistura que Brown fez de narração e especulação continua na lista dos mais vendidos em seu terceiro ano de publicação.Vinte e cinco milhões de livros, em 44 idiomas, já foram impressos em todo o mundo, e não há sinal que indique o fim. Vendedores esperam que O Código Da Vinci continue como best seller até o final de 2005. "Ele é o livro mais vendido há dois anos seguidos, e eu não consigo me lembrar de outra vez em que isso aconteceu", disse Bob Wietrak, vice-presidente de merchandising da rede de livrarias Barnes & Noble.A adaptação do romance para o cinema, que será dirigida pelo premiado diretor Ron Howard (Mente Brilhante) e estrelada por Tom Hanks (O Terminal) e Audrey Tatou (O Fabuloso Destino de Amely Poulain), deverá atrair mais leitores ainda. Apenas outros romances de Brown conseguem se igualar ao sucesso de O Código Da Vinci. Deception Point, lançado em 2001, já teve 3,7 milhões de cópias impressas, de acordo com a Simon & Schuster, editora anterior de Brown. Anjos e Demônios, publicado em 2000 e que traz o protagonista de Código, Robert Langdon, já tem 8 milhões de cópias. A edição especial ilustrada de O Código Da Vinci já teve mais 900 mil cópias impressas. Uma versão ilustrada de Anjos e Demônios será lançada este ano. Como muitos já sabem, O Código Da Vinci começa com o assassinato do curador do Museu do Louvre, em Paris, Jacques Saunière. A morte dele traz à tona uma conspiração para revelar um segredo que foi protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. A criptógrafa Sophie Neveu e Robert Langdon, um simbologista, se unem para desvendar um código deixado por Saunière antes de morrer. Muitos atribuem o sucesso do livro ao fato de ele ter surgido num momento em que tanto os romances literários como os comerciais agonizavam, quando a economia e a forte concorrência de outros meios de comunicação levaram o público a se sentir mais atraído a livros de não-ficção ou se afastar de qualquer tipo de leitura. Editores e livreiros dizem que o romance de Brown conseguiu combinar uma narrativa provocante com controversos detalhes históricos. Muitos romances parecidos com Código serão lançados este ano. Jon Fasman vai lançar The Geographer (o geógrafo), um romance de suspense cujo personagem principal é um filósofo do século 12. James Rollins escreveu Map of Bones (mapa dos ossos), que também aborda o século 12 e a busca por relíquias. The Historian (o historiador), de Elizabeth Kostova é um dos livros mais esperados do ano e mostra a busca de uma mulher pelo Drácula histórico.O livro de Brown despertou muitas críticas e especulações sobre a verdade dos fatos descritos, especialmente a afirmação de Jesus e Maria Madalena teriam se casado e tido vários filhos. Como resposta ao livro de Brown, surgiram obras como Decifrando o Código Da Vinci, Quebrando o Código Da Vinci e Revelando o Código Da Vinci.Especialistas em arte e clérigos conservadores estão fazendo um "julgamento" do livro na cidade natal de Leonardo Da Vinci, Vinci, perto de Florença, na Itália. Alessandro Vezzosi, diretor de um museu, disse que vai conseguir fotografias e documentos como provas dos erros e falhas históricas do livro de Brown.Enquanto os leitores e os livreiros aguardam ansiosos pelo próximo livro de Brown, The Solomon Key (a chave de Salomão), o autor não está com nem um pouco de pressa. Segundo a Doubleday, Brown está em sua propriedade rural em New Hampshire "pesquisando e escrevendo seu próximo romance". Ainda não foi definida a data de publicação.

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