Darrin Zammit Lupi/Reuters
Darrin Zammit Lupi/Reuters

Doida pra ir à Lapa

Sensação do pop britânico, Jessie J se apresenta domingo, no Rock in Rio

Pedro Caiado/ Londres , Especial para O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2013 | 02h22

Jessica Ellen Cornish, a Jessie J, fala rápido e sem nenhuma inibição. Quando entramos no quarto de um hotel em Londres para conversar com a cantora pop de 25 anos, nos deparamos com vaporizadores de ar - "Eu tenho sete na minha casa" - e velas aromáticas por todos os lados. "O vapor é para manter minha voz limpa", diz ela, sorridente. Jessie está com cabelo louro supercurto - ela raspou recentemente para levantar fundos para caridade - e usa vestido preto, top preto e branco e enormes argolas douradas nas orelhas.

Jessie J, garota da cidade de Essex (Leste da Inglaterra), é exibida, falante e aberta quanto à sua sexualidade - em 2011, admitiu ser bissexual. Ela estourou há dois anos com músicas sobre autoestima (Do It Like a Dude), uma crítica ao consumismo (Price Tag) e um intenso pedido de perdão (Nobody's Perfect). O álbum, Who You Are, um sucesso que vendeu 2,5 milhões de cópias ao redor do mundo, a transformou na nova estrela modelo de importação do pop britânico, agora ocupando o posto que era de Lilly Allen. Nada mal para uma menina que começou a carreira escrevendo canções para Chris Brown e Miley Cyrus (é dela a famosa Party in the U.S.A.). "Acho que toda música deve evocar um sentimento que seja real", afirma ela, explicando que músicas são como as roupas que escolhe. "Alguns dias você quer ouvir Do It Like a Dude e outros Who You Are", lembra, cantando.

Sobre a fama (ela tem 6 milhões e meio de seguidores no Twitter), faz questão de dizer. "É insano, mas eu não sou Jessie J o tempo todo. Quando eu saio para correr, eu não estou me apresentando. Eu sou normal!", explica sua relação com fama.

Hoje, ela quer deixar o passado de roupas extravagantes para trás e mostrar que se tornou mulher. "Algumas imagens antigas me deixam constrangida. Eu estava tão pálida", conta, rindo. "A gente tem que progredir. Não estou mais interessada nisso. Quero ser lembrada pela minha voz e não pelo que eu visto", enfatiza.

A cantora, que se apresenta no domingo no Rock in Rio (Palco Mundo, às 20h30) - o seu maior público -, mesmo dia de Justin Timberlake, já esteve no Brasil, mas por apenas 18 horas. "Foi para o Grand Prix. Não conheci nada", lembra. "Mas o País está na minha lista de prioridades há muito tempo. A comida, a energia", comenta e pergunta ao assessor: "Nós vamos antes do show, não é? Eu quero sentar naquela mesma escadaria que o Snoop Dogg e o Pharrel gravaram aquele vídeo". Ela se refere ao clipe de Beautiful, na Lapa. "Quero conhecer mais da música brasileira. Você pode fazer uma lista de artistas brasileiros para mim? Vou cantar no Rock in Rio! Já pensou?", se anima e confessa que Vinicius de Moraes e Caetano Veloso são nomes desconhecidos. "Nunca ouvi falar."

A música tema do novo filme Kick Ass 2, Hero, também será dela. Mas quem seriam seus heróis? "Minha mãe e meu pai, sempre. E também Grace Jones, Prince, Nelson Mandela. São tantos. Pessoas como Bono e Alicia Keys, por exemplo, são as que colocam o coração em seus projetos. Nem tudo precisa ser promovido para que você se sinta bem", defende ela.

Jessie, como muitos artistas, gosta de interagir com fãs na internet, mas reclama dos que a odeiam. "O twitter se tornou muito ruim e as mensagens negativas anulam as positivas e estragam meu dia, então eu parei. Tirei a negatividade da minha vida", argumenta. "Uso o Instagram, hoje em dia", confessa, acrescentando que ainda tem twitter, mas não lê as mensagens.

O novo álbum (ainda sem nome), será uma mudança de direção, com homenagens aos anos 80 e artistas como Whitney Houston. "Quero mostrar aos meus fãs, que agora cresceram, os grandes artistas que não conhecem", justifica. "Tento ao máximo fazer um álbum que não seja sobre fama, pois as pessoas não iriam se identificar, certo?", avalia, contando o motivo por trás das composições. It's My Party, por exemplo, é uma música que escrevi logo depois de ter raspado a cabeça", revela sobre o motivo do novo look. "Todo mundo me disse que eu estava louca de raspar o cabelo, daí escrevi essa música para mostrar que não estou nem aí."

O longo processo de finalização do primeiro álbum (três anos) está longe do tempo gasto para terminar o mais recente. "Foram quatro semanas e meia", recorda. Pergunto se para fazer música é preciso tempo. Ela contesta. "Às vezes, leva tempo para criar mágica, mas, às vezes, não", ressalta, batendo palmas, algo recorrente. "Criei Thunder no último dia de gravação. O álbum já estava pronto e aí eu pedi para gravarmos a música, pois sabia que tinha algo bem interessante na mente."

Diante da fama global, Jessica Ellen confessa ter planos de viver como uma "pessoa normal". "Quando tiver 30 anos, vou dar um tempo e ter filhos e viver uma vida tranquila. Se eu não fosse cantora, provavelmente seria uma dessas pessoas que organizam a vida dos outros", informa. "Sou tão organizada... Adoro ter listas, organizar armários, gavetas", admite. "E eu cozinho muito bem", fala ela rapidamente.

No fim da entrevista, Jessie J faz questão de deixar uma mensagem. "Não permita que os dias bons se tornem algo normal. Dias ruins também são importantes", ensina ela. Afinal, nem tudo é apenas dinheiro, como repete em uma de suas músicas mais famosas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.