Doente, Saramago falta à própria festa de 85 anos

Escritor era aguardado neste sábado no Palácio Nacional de Mafra, cenário de seu livro 'Memorial do Convento'

Jotabê Medeiros,

17 de novembro de 2007 | 17h28

O escritor José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998, faz 85 anos domingo, 18. Para celebrar a data, seus conterrâneos prepararam uma grande festa com o retorno do escritor ao Palácio Nacional de Mafra, cenário do seu mais festejado romance, Memorial do Convento - também se comemora o aniversário do livro este mês, 25 anos da publicação. Toda a imprensa portuguesa noticiou a vinda do autor. Mais de 300 pessoas lotaram a imponente biblioteca do Palácio, quase um quilômetro de prateleiras de livros, mas Saramago não veio. Adoentado, pediu desculpas aos anfitriões por não ter podido se deslocar até o local, que fica a uns 40 quilômetros de Lisboa. A última aparição pública do escritor foi em cadeira de rodas, situação que ele creditou a uma 'forte gripe'.  Diversos especialistas o aguardavam, como Rui Vieira Nery, da Fundação Gulbenkian, João Appleton, professor da Universidade Católica Portuguesa, e Ana Paula Arnaut, doutora em Literatura por Coimbra, que expôs sua tese sobre o livro Memorial do Convento, começando por uma citação de Tchecov ("Todo romance é um palácio"). No encerramento, foi apresentada a peça Memorial do Convento, co-produção entre o Teatro D. Maria II e o Palácio Nacional. "Que livro é este? Que escreveu, que quis Saramago escrever? Um romance histórico? Um romance realista? Uma alegoria? Uma parábola? Uma epopéia? Um conto de fadas? Uma história de amor", indagou o crítico Luís Francisco Rebelo na época da publicação de Memorial do Convento em O Diário. "Os heróis são anti-heróis, criaturas de exceção pelo lado da mácula, povo marcado: Baltazar Sete-Sóis, ex-soldado maneta, Blimunda, que vê entranhas e vontades, João Pequeno, com a sua corcunda e a solidão, Frei Bartolomeu Lourenço, que acabará louco, após conhecer a dúvida religiosa e a perseguição do Santo Oficio", escreveu outro crítico, Urbano Tavares Rodrigues, sobre o livro, logo após seu lançamento, em 1982. O cenário de tudo isso é o impressionante palácio Nacional de Mafra, que disputa com o Palácio de Sintra, a 20 quilômetros dali, a hegemonia no cenário da região. Consta que José Saramago teria nascido em 16 de novembro de 1922, mas seu nascimento só foi registrado no dia 18.

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