Documentos de Hemingway serão digitalizados

Fundação americana teve acesso a cartas e curiosidades como contas e listas de compras, guardadas em Havana

BRETT ZONGKER , ASSOCIATED PRESS , WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h09

Especialistas e interessados em geral poderão ter acesso mais fácil aos livros e gravações que compõem o acervo do escritor Ernest Hemingway em Cuba, país onde escreveu algumas de suas obras mais famosas. Na semana passada, foi dada a largada a um projeto que prevê a digitalização de cerca de 2 mil documentos do autor.

Uma parceria foi estabelecida entre o congresso norte-americano, representado pelo deputado James McGovern, de Massachusetts, e a Fundação Finca Vigia, sediada em Boston. Segundo representantes da instituição, o material digitalizado será guardado pela Biblioteca John F. Kennedy, que ficará responsável por divulgá-lo. Esta é a primeira vez em que foi concedido acesso a membros de uma instituição americana aos documentos, guardados na casa onde o compositor viveu, nas proximidades de Havana. Os documentos incluem passaportes e cartas que se referem a obras como O Velho e o Mar.

Jenny Philips, neta de Maxwell Perkins, editor de Hemingway, criou a Fundação Finca Vigia em 2004, após visitar a antiga casa do escritor e encontrá-la "abandonada e com um rico material inexplorado". A partir de então, ela pediu ao Departamento de Estado e ao Departamento do Tesouro americanos autorização para que especialistas pudessem visitar Havana e catalogar o material.

"Trata-se da vida e da obra de um grande escritor", diz Phillips. "Todos estes pedaços se juntam para criar um enorme quebra-cabeças sobre ele." Os documentos recém digitalizados incluem uma carta de Hemingway para a atriz Ingrid Bergman e outras a sua mulher, Mary; passaportes que documentam suas viagens pelo mundo; contas de bares e restaurantes; listas de compras; anotações sobre furacões. Não há, no entanto, nenhum manuscrito inédito.

"Durante muitos anos, historiadores americanos imaginavam que havia material importante ali. Mas a situação política entre os dois países fez com que os cubanos não abrissem mão dos documentos", diz Phillips, que tem atuado como negociadora entre EUA e Cuba para garantir o acesso à sua casa. "Acredito que esta é uma colaboração extraordinária e única entre os dois países." Para o deputado McGovern, defensor da busca por um novo diálogo entre os países, a colaboração em torno do acervo de Hemingway precisa ser entendida como um "feito histórico".

Em 2008, alguns manuscritos e edições originais de livros do escritor já haviam sido digitalizadas. Especialistas puderam, então, ter pela primeira vez acesso a raridades como um final alternativo para o livro Por Quem os Sinos Dobram, além de correções a lápis nos originais de O Velho e o Mar. Na ocasião, lançou-se o projeto de construção de um novo edifício, climatizado, para o museu dedicado ao escritor em Havana. O prédio está sendo construído, mas ainda não há data confirmada para a inauguração.

A Biblioteca Kennedy possui um enorme acervo dedicado ao escritor, com mais de 100 mil páginas de escritos e 10 mil fotografias, conseguidos por meio de negociações conduzidas pela ex-primeira dama Jacqueline Kennedy nos ano 1960.

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