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Documentário reflete sobre as atuais condições femininas na África

Filme de Carlos Nascimbeni estreia nesta sexta nos cinemas

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

08 de março de 2013 | 09h01

Nos filmes na TV, você encontra uma bela homenagem ao Dia Internacional da Mulher – o sensível Caramelo, em que a atriz e diretora Nadine Labaki vê o mundo da perspectiva de um instituto de beleza. Parece frívolo, principalmente se você comparar com Mulheres Africanas – A Rede Invisível, o documentário de Carlos Nascimbeni que estreia nesta sexta-feira, 8, nos cinemas. O diretor comemora a conquista de um espaço para mostrar seu filme, e justamente num dia tão importante. As datas, por simbólicas que sejam, induzem as pessoas a pensar, nem que seja por um momento.

As mulheres do instituto de beleza e as guerreiras africanas representam diferentes perspectivas de uma mesma luta que se repete e renova a cada dia. As ‘guerreiras’ não pegam necessariamente em armas – as mais anônimas pegam no cabo da enxada para trabalhar na lavoura. As mais conhecidas são cinco africanas que dão depoimento sobre a situação do continente. Não falam só do seu sexo. Mulheres são mães, amantes, esposas. Pensam sempre nos filhos, no marido. O diretor e roteirista conta que, ao ser cooptado pela produtora Mônica Monteiro, tinha ideias preconcebidas sobre a África e suas mulheres. A produtora lhe dizia: “Espera chegar lá para ver”.

O que une Graça Machel, Mama Sara Masari, Nadine Gordimer, Leymah Gbowee e Luisa Diogo aos 500 milhões de mulheres que vivem na África – o número é citado no próprio filme – é o fato de serem todas lutadoras. “Cada uma luta com suas armas”, reflete o diretor, e, por isso, com a fala de Leymah, a visualização de um relato de Nadine e a corredora que vence a distância, ele conta essas histórias de mulheres que se expressam. Que agem. “Embora a África esteja no nosso imaginário e seja muito forte na formação, até mesmo étnica do povo brasileiro, é desconhecida da gente. Pensamos que sabemos, mas é outro mundo.”

Graça Machel é ativista de direitos humanos e mulher de Nelson Mandela. Mama Sara Masari é empresária de sucesso. Leymah Gbowee ganhou o Prêmio Nobel da Paz; Luisa Diogo foi primeira ministra de Moçambique. Nadine Gordimer venceu outro Nobel, o de Literatura. A liberiana Leymah fala de não violência, evoca Gandhi, Martin Luther King e Mandela para dizer que é preciso muita força interior para resistir à opressão. A sul-africana Nadine Gordimer tem profundo conhecimento do apartheid, mas a história que ele conta refere-se ao heroísmo e à covardia. O heroísmo que interessa às duas não é o do tipo que rende estátuas. É o da prática do dia a dia.

Carlos Nascimbeni recorre ora a uma narradora (Zezé Motta), ora deixa que as mulheres falem entre si, contrapondo depoimentos. É a melhor parte do filme. Ele está documentarista neste filme, mas gosta mesmo é de ficção. Muitas das histórias narradas dariam grandes filmes – Nascimbeni antecipa que Hollywood está fazendo ou vai fazer uma ficção sobre Leymah Gbowee. Ele concorda quando o repórter lhe diz que é a melhor personagem. Se a presença da mulher é importante na economia informal africana, Nascimbeni sabe que seu filme é um óvni no circuito comercial. Ele trabalha para garantir um outro circuito, para que as mulheres, e não só elas, possam discutir A Rede Invisível em associações do Brasil inteiro.

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