Documentário mostra o teatro segundo Antunes Filho

Alguns classificam seu teatro comoapolíneo, pela disciplina e sobriedade; ele prefere comentar quesua obra é orgânica, decisivamente influenciada pela atualidade.Independentemente dos conceitos, Antunes Filho é um dos maioresencenadores do teatro brasileiro e sua trajetória coincide comas mais decisivas transformações dessa arte, nos anos recentes.Essa história marcada por rupturas é contada de forma concisa nodocumentário O Teatro segundo Antunes Filho, que serálançado nesta terça-feira, às 21 horas, no hall de convivência doTeatro Sesc Anchieta (Rua Dr. Vila Nova, 245). Antes, às 16h30,no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112),a primeira parte do filme - As Origens de um Artista - seráexibida gratuitamente dentro da programação do Festival deDocumentários É Tudo Verdade. O que vai ser exibido amanhã em um telão no SescAnchieta, para convidados, é um compacto de 60 minutos, pois odocumentário se estende por 5 horas, dividido em uma minissériede seis capítulos, cada um com 50 minutos. A versão completaserá transmitida pela STV Rede SescSenac de Televisão (emissoraveiculada em todas tevês por assinatura) a partir de sábado e,sempre às 23 horas, até quinta-feira, dia 25. Os títulos estãoassim subdivididos: As Origens de um Artista, A Década dasTransgressões, Desafios de um Tempo Duro, Mestre eDiscípulos, A Poética do Mal e O Método. Trata-se de um passeio sobre as cinco décadas detrabalho que José Alves Antunes Filho percorreu até chegar aosconceitos de interpretação que emprega hoje, aos 71 anos, noCentro de Pesquisa Teatral (CPT) e em espetáculos comoMedéia e Prêt-à-Porter 4, atualmente em cartaz. O documentário surgiu de uma idéia inicial do sonoplastaRaul Teixeira, que trabalha com Antunes há 15 anos. Decidido aeternizar os exercícios e a forma de concepção do diretor,Teixeira registrou os ensaios em vídeo, mesmo contrariando, emalguns momentos, o próprio Antunes. "Ele colecionou um materialvaliosíssimo, mas infelizmente sem qualidade técnica para serutilizado no documentário", comenta Amílcar M. Claro, diretordo projeto, que, inicialmente, previa a realização de umlonga-metragem. "Não conseguimos, porém, captar os recursosnecessários." O projeto viabilizou com a entrada da STV, que aceitou oformato de minissérie. A captação ocorreu entre junho e dezembrodo ano passado, quando a equipe gravou entrevistas com Antunesdurante dois dias inteiros, além de registrar o trabalho no CPT.A maioria das imagens de arquivo foi conseguida na coleçãoparticular de Antunes e as cenas das peças foram cedidas peloSesc. "Eles mantêm gravado todo o trabalho realizado no TeatroAnchieta", conta Amílcar. Irascível em alguns momentos, carinhoso em outros,Antunes comenta a própria história, desde o nascimento em SãoPaulo, filho de pais portugueses, passando pela descoberta docinema ("Joana d´Arc, do Dreyer, me fez chorar, tamanha aforça da imagem") até iniciar no teatro, em 1949, no CentroAcadêmico Horácio Berlinck. A entrevista é conduzida porSebastião Milaré, crítico de teatro e autor de Antunes Filho ea Dimensão Utópica, uma análise bem acurada do método dodiretor. "Foi graças à cumplicidade existente entre ambos queconseguimos momentos emocionantes", comenta Amílcar. Antunes relembra, por exemplo, sua passagem pelo TeatroBrasileiro de Comédia (TBC), na década de 50, quando trabalhoucom Ziembinski, Ruggero Jacobbi e Luciano Salce, entre outros, etambém a estréia como diretor profissional, montando WeekEnd, de Nöel Coward, em 1951. Lembranças - As lembranças de Antunes são complementadaspor depoimentos de atores e técnicos que participaram daquelesmomentos, como Eva Vilma, Laura Cardoso, Raul Cortez, J.C.Serroni, Cacá Carvalho, Lígia Cortez, Marlene Fortuna e GiuliaGam até chegar aos atuais parceiros, como os atores JulianaGaldino e Emerson Danesi. O interesse cresce quando Antunes revela as situações deruptura, como a viagem que fez, ainda jovem, à Europa,descobrindo mais detalhes do trabalho de Brecht. Ou ainda, nofinal da década de 70, quando abandona o teatro comercial paradirigir uma revolucionária versão de Macunaíma. Trata-se doinício da fase em que privilegia o ator nas encenações, processoque vai culminar com a criação do CPT, em 1982. Mais do que nunca, a realidade passa a ecoar no trabalhode Antunes, sensível à violência e injustiça. Assim, a chacinados meninos da Candelária inspira Vereda da Salvação; aqueda do Muro de Berlim prometia uma nova história da humanidade daí o surgimento de Nova Velha História, uma versão de OChapeuzinho Vermelho; a guerra da Iugoslávia é representada emFragmentos Troianos - Antunes, enfim, revela sua forma orgânicade fazer teatro. O documentário termina com o processo de interpretação,no qual o diretor se revela partidário da técnica e da forma,sempre cuidando para preservar e privilegiar a arte. Até chegara essa reta final, a minissérie tem o ritmo garantidoprincipalmente pelos depoimentos dos que trabalharam com Antunes especialmente as lembranças de momentos hilariantes, como adesastrada montagem de Júlio César, contada por Raul Cortez.Serviço - O Teatro segundo Antunes Filho. Direção de Amílcar M.Claro. Amanhã (16), às 16h30, exibição na programação doFestival Internacional de Documentário É Tudo Verdade. CentroCultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado,112, tel. 3113-3651). Às 21 horas.Lançamento oficial do documentário. Teatro Sesc Anchieta. Rua Dr. Vila Nova, 245, tel. 3256-2281. Sessão para convidados

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