Documentário mostra dura realidade de médicos nas guerras

Um novo documentário sobre trabalhadoresvoluntários em zonas de guerra mostra as duras escolhas,dilemas e limites enfrentados por médicos prestando atendimentode emergência em condições extremas. Filmado em 2005 e 2006 e apresentado no Festival de Cinemade Veneza, "Living in Emergency" acompanha quatro voluntáriosocidentais trabalhando na África para a organização francesaMédicos Sem Fronteiras (MSF), que venceu o prêmio Nobel da Pazem 1999. Dois dos novos recrutas e dois veteranos no trabalho emcampo na Libéria, após guerra civil brutal, estão no nordestesem lei da República Democrática do Congo. O filme retrata toda a luta para lidar com a carga detrabalho, a falta de materiais adequados e o caos e carnificinaao redor deles. Com imagens gráficas de cirurgia de emergência eentrevistas francas com os voluntários, o documentário mostracomo é a vida real dos médicos em campo. "Estava muito claro desde o início que nós não queríamosfazer um tipo de "documentário de causa." Esse é um gênero dotipo "tudo vai ficar bem e aqui estão os heróis", disse odiretor Mark Hopkins à Reuters. "(Os médicos) não se vêem dessa forma, eles são humanos.Eles estão fazendo um trabalho extraordinário em situaçõesloucas mas... não seria fiel à realidade da situaçãotransformá-la em um desses clichês." O documentário mostra os limites materiais afetando otrabalho dos voluntários, a escolha de qual paciente tratarprimeiro, o que pode significar decidir quem vai ou não vaimorrer, e freqüentemente sem outros médicos para dividir aresponsabilidade. Chris Brasher, um anestesista australiano que trabalhoupara o MSF por nove anos e é um dos médicos no centro dodocumentário, deixou a organização para trabalhar em umhospital em Paris. "Eu estava completamente desgastado... sonhando com corposqueimados e pessoas morrendo. Eu tive problemas para mantermeus relacionamentos na minha vida pessoal. Eu estava metornando agressivo", ele disse, adicionando ter sido muitodifícil se reajustar à vida normal. "Para aqueles que pensam que estão fazendo isso por outraspessoas e não por si mesmos, pensem novamente", aconselha omédico às milhares de pessoas que se candidatam todos os anospara voluntários do MSF. (Edição de Caroline Drees)

SILVIA ALOISI, REUTERS

30 de agosto de 2008 | 16h26

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