Documentário mostra a vida e a obra de Kurosawa

No final dos anos 70, os japoneses repudiavam aquele que era considerado no Ocidente o maior artista japonês contemporâneo: Akira Kurosawa. O público não via seus filmes, os cineastas da nova geração o consideravam "representante do stablishment" e as companhias cinematográficas nipônicas não financiavam seus filmes. Somavam-se a esse quadro bisbilhotices sobre seu alcoolismo, sua tentativa frustrada de suicídio, seu gênio rebelde e irascível.Mas, quanto mais os japoneses o descartavam, mais o Ocidente o reverenciava como gênio. E se faltavam yens para suas produções, cineastas como Francis Ford Coppola e Steven Spielberg acabaram produzindo seus últimos filmes.A vida e a carreira do genial cineasta está no documentário Akira Kurosawa: O Último Imperador, que o Cinemax exibe hoje, às 22 h. De família de antigas linhagens aristocráticas e samurai, Kurosawa conhecia a literatura e a pintura clássicas japonesas, mas não descuidou de assimilar também a arte e a cultura ocidentais, que inundavam o Japão desde o final do século 19. Durante a 2.ª Guerra, mergulhou de cabeça no mundo das artes tradicionais japonesas. Pela primeira vez, assistiu ao teatro No - Ran, por exemplo, é puro espetáculo de No.Depois, fez um punhado de obras-primas, desde os mais antigos como O Idiota, Rashomon e Os Sete Samurais, até os mais recentes Rapsódia em Agosto e Madadayo, de 1993, que acabou sendo seu último filme. Mas o cineasta brincava que, desde Ran, já vinha fazendo cada filme como se fosse o último.

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