Documentário mostra a história do grupo Novos Baianos

Para a sociedade burguesa e conservadora do fim dos anos 60, no auge da ditadura militar, com a instituição do Ato Institucional Número Cinco, eles eram apenas um bando de hippies cabeludos e maconheiros. A polícia, vez ou outra, prendia algum deles. Era quase uma diversão, dos milicos, é claro. Não que esse grupo, predominantemente baiano, fosse comunista, ou coisa do tipo. Eram, mesmo, jovens cabeludos e hippies. Mas tinham um foco, acima de todas as maluquices: a música. E era muita música.

AE, Agência Estado

22 de julho de 2011 | 10h57

Canalizada da forma certa, a criatividade do grupo gerou verdadeiras obras-primas da música popular brasileira. "Acabou Chorare", de 1972, é considerado um clássico - o clássico dos clássicos, por alguns críticos. O longa "Os Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano", como o próprio nome já entrega, pretende não só contar a história dos Novos Baianos, mas mostrar a importância de João Gilberto para a sonoridade diferenciada do grupo.

O diretor baiano Henrique Dantas bem que tentou, mas não conseguiu um depoimento de João Gilberto. Convenhamos, não é de se surpreender. A sua introspecção é tamanha que já criou fama própria. Mas, formando um mosaico com depoimentos de membros da banda, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Gato Félix e Dadi, a presença de Gilberto é quase maior do que os novos baianos.

Não é por acaso. Foi João Gilberto quem introduziu o samba e a música brasileira à banda. Foi ele quem disse para o guitarrista Pepeu Gomes não ter medo do cavaquinho, visto como um instrumento conservador na época. Tudo o que influenciou o grupo para o "Acabou Chorare", começou um ano antes, em 1971, quando, às três da madrugada, um sujeito de terno bateu na porta do apartamento alugado pela trupe baiana no Rio de Janeiro. Veio o susto, poderia ser algum militar. Afinal, lá se jogava futebol na sala e se fumava maconha com páginas da Bíblia. Era João Gilberto. E a verdadeira história dos Novos Baianos estava começando.

Em 2009, o documentário recebeu o Prêmio Especial do Júri e do Júri Popular no 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. No In-Edit, festival de documentários musicais inéditos do circuito comercial, ele foi o vencedor do voto popular em território nacional e irá disputar a final em Barcelona, no fim de outubro. Os méritos são muitos, mas há algumas deficiências. A cantora Baby Consuelo gravou o seu depoimento, mas acabou proibindo que ele fosse exigido. Uma falta sentida. Há também a pouca ênfase dada à a saída de Moraes Moreira, o principal letrista do grupo ao lado de Galvão, e de toda a confusão que isso gerou. A trava de Pepeu Gomes em seguir como letrista também é vista de forma ligeira. Mas isso não estraga a festa que foram os Novos Baianos, e também não desfalca o documentário. As informações são do Jornal da Tarde.

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