Documentário exibe momentos do cotidiano

Documentário exibe momentos do cotidiano

'Big Brother' da vida de Saramago exibe momentos de carinho do escritor com a mulher Pilar e muitas reflexões

Entrevista com

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

O documentário já foi exibido na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, e durante a Bienal do Livro de São Paulo, ambas no mês passado, mas José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, continua provocando grande expectativa. Na homenagem de hoje, a diretora Daniela Thomas selecionou alguns trechos que serão exibidos em momentos intercalados (veja no quadro).

O filme, que traça um retrato da vida e da obra de José Saramago, será exibido no Festival do Rio no sábado. Trata-se de um meticuloso trabalho de Mendes que, durante três anos, filmou a rotina do prêmio Nobel de Literatura de 1998. E, como nem todas as entrevistas obviamente entraram no documentário, a Companhia das Letras pretende lançar até o fim do ano um livro com a íntegra dessas conversas, acompanhado de um DVD com o próprio filme.

Definido pelo próprio diretor como "uma espécie de Big Brother da vida de José Saramago", o documentário registra momentos de carinho do escritor com sua mulher Pilar alternados com reflexões sobre seu cotidiano. Ou seja, da intimidade para as discussões públicas, oferecendo um retrato do que realmente era rotineiro na vida do escritor.

Mendes compôs um fiel perfil, editando como se movido pelo humor peculiar de Saramago. Em uma determinada cena, por exemplo, vê-se o autor em sua casa, na ilha de Lanzarote, na Espanha. Ele ouve música clássica enquanto concentra o olhar no computador. O espectador não vê a tela, apenas Saramago, concentrado, mexendo no mouse e murmurando: "Este para aqui, este para ali." Um corte seco e a surpresa: não se trata da escrita de um livro mas de um jogo de paciência. "Está ganho. As cartas fazem uma espécie de dança e são boas para afugentar o Alzheimer", comenta.

O crítico literário americano Harold Bloom afirmou que Saramago se tornou um homem mais solar ao compartilhar a vida com Pilar. As imagens de Miguel Gonçalves Mendes comprovam a afirmativa. O casal tanto aparece de mãos dadas, sentado no sofá e assistindo à TV como, em flagrante peraltice, Saramago surpreende ao dar um tapa na bunda da mulher.

Cético, agnóstico, firme em seus propósitos, Saramago, que morreu de complicações respiratórias provocadas por um fungo e leucemia crônica, encara a finitude com impressionante placidez: "Medo? Não. A morte para mim é a diferença entre estar e já não estar."

HOMENAGENS

o A jornalista Pilar Del Río inicia a leitura de uma obra

o As mulheres na obra de José Saramago:

Denise Weinberg lê um papel de Ensaio Sobre a Cegueira

Bete Coelho, de Memorial do Convento

Lígia Cortez, também de Ensaio Sobre a Cegueira

o Chico Buarque lê trecho de O Ano da Morte de Ricardo Reis

o Haverá projeções dos textos lidos, imagens do documentário José e Pilar e fotos do arquivo pessoal de Saramago

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