Do obsceno ao drama francês

Filme de Christophe Honoré com o astro pornô François Sagat integra o 18º Festival Mix Brasil

Marcio Claesen, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2010 | 00h00

Pouco acostumado a produções "sérias", o ator pornô François Sagat falou ao Estado sobre a dificuldade de interpretar um personagem dramático para quem está acostumado a filmes sem diálogos. Sagat está em São Paulo promovendo Homem no Banho, novo longa de Christophe Honoré, e L.A. Zombie, que passou nos festivais de Locarno e Toronto e foi proibido na Austrália. Ambos estreiam no País dentro da programação do 18.º Festival Mix Brasil.

Como surgiu o convite para fazer L.A. Zombie e o que o público pode esperar do filme?

Conheci Bruce (Labruce, diretor do filme) há dois anos em uma festa de aniversário em Paris. Falamos de um vídeo que fiz no YouTube para o Halloween, vestido como um vampiro loiro. E começamos a filmar um ano depois, em Los Angeles. Todo o projeto foi centrado em torno do meu personagem. Não considero o filme uma história com começo e fim. Há pouca interpretação. A maioria das opiniões do público que recebi até agora foi bastante boa.

Você também está no elenco do novo longa de Christophe Honoré, Homem no Banho. Pretende atuar em mais filmes dramáticos e conciliar com a carreira na indústria pornô?

Na verdade, não pretendo fazer outro papel. Nunca pedi para trabalhar (risos). Os projetos vieram até mim. Honoré me contatou e perguntou se eu estava disposto a fazer o filme. Não me vejo fazendo pornô e atuando ao mesmo tempo. Não faço pornô desde setembro de 2009, mas não posso prever o futuro.

Você já viu o filme? Gostou?

Eu já o vi várias vezes em festivais e promovo meus filmes direitinho! Acho que estou muito ruim em certos diálogos e bem em outros. Ficou bastante realista o modo como ele mostrou alguns aspectos emocionais. Para as pessoas que querem ver coisas bonitas, tudo muito calculado, bem, este filme não é para elas. Não foi fácil fazer, mas nada é simples se você quer um resultado forte. Christophe é muito claro e preciso com o que quer com seus atores. Há muita improvisação, mas eu me senti suficientemente dirigido.

O que é mais difícil: fazer um filme com história ou uma produção pornô?

É sempre difícil, no meu caso, fazer um filme com história e diálogos. Sou reconhecido na indústria pornô talvez por ser bem-sucedido desde o início. Atuar é algo muito diferente. Eu me sinto seguro e confiante quando faço pornô. Tem a ver com a maneira que você coloca seu corpo e suas habilidades sexuais em situações extremas. Já atuando em um filme "sério" você precisa de técnica na maior parte do tempo. Acho que eu preciso ter aulas de interpretação se quiser "tentar" ser ator. Talvez eu não tenha sido feito para isso... É muita responsabilidade.

FESTIVAL MIX BRASIL

L.A. Zombie - Hoje, 21h, Cine Dom José; domingo, 16h20, Espaço Unibanco

Homem no Banho - Amanhã, 20h10, Cinesesc; domingo, 20h15, Espaço

Unibanco

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