Do food truck para o room service

Chef-símbolo da comida de rua passou a cuidar da cozinha dos hotéis Line

Jeff Gordinier, NYT, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2014 | 02h08

Na mesma Koreatown em que cresceu, Roy Choi observa os prédios a partir do topo do Line, um novo hotel, e divaga: "K-Town é bem aqui, tem algo mágico, algo da velha Hollywood". Chef-símbolo da comida de rua, o dono dos furgões Kogi já andava servindo suas criações em alguns endereços fixos. Agora, virou sócio do Line e assumiu a cozinha dos restaurantes do hotel, fixando-se de vez.

Supervisiona o restaurante Pot, onde serve uma mistura de pratos coreanos com comfort food americana, comida inspirada na que cresceu comendo. Do forno saem pães cozidos adocicados e fatias de pizza de mac-and-cheese. "É soul food. Esse é meu restaurante de comida de alma", diz Choi. "O que eu aprendi entre os altos e baixos da vida é isso: coma isto, aprecie aquilo. Essa é a alma, cara. Essa é a viagem."

Roy Choi também assina o serviço de quarto - ao seu estilo, claro. Reúne no mesmo cardápio club sandwiches, spam (presunto) com ovos, burritos no café da manhã, mingau de arroz, arroz de porco frito.

Mas o destaque do cardápio de room service chega numa embalagem térmica: é lámen instantâneo, servido com ovo e fatias de queijo americano derretidas - a cara de Choi.

Vem embrulhado em um pano, que pode ser da Hello Kitty, de personagens de filme de terror ou outros elementos da cultura pop. "Você desembrulha ele e parece que você está abrindo um presente", diz Choi. A inspiração vem do hábito das famílias coreanas de levar comida quando vão a festas.

O segundo restaurante do hotel é o Comissary, que abre nos próximos meses, instalado numa estufa no segundo piso. O chef, que faz questão de maximizar a presença de plantas em sua dieta, transformou frutas e vegetais em estrelas do cardápio do Comissary. Mas, nada impede que apareçam mergulhados em gordura de pato ou fatias de lardo. E não tem nada escrito, apenas fotos de pratos.

Alçado à fama por um food truck, em menos de seis anos Choi passou da venda errante de tacos no trânsito para uma rede de furgões de comida que cobre a cidade, mudando o jeito de almoçar dos americanos.

Tudo começou em 2008, quando Choi ficou sem emprego em meio à grande crise econômica dos EUA. Com o amigo Mark Manguera, começou a rodar por Los Angeles vendendo tacos recheados com churrasco coreano em um caminhão. Eles chamaram a empresa de Kogi. Os tacos eram excepcionais e provocaram tantas filas que chamaram a atenção da crítica especializada. Roy Choi ganhou prêmios, seu perfil foi estampado em revistas e ele virou celebridade. Hoje, ao falar de seu revolucionário papel no boom de food trucks dos EUA, Choi deixa de lado a conhecida humildade: "Kogi mudou tudo. Fizemos uma transformação social que atingiu muitos níveis".

Kogi não foi o primeiro food truck de Los Angeles. Mas foi o primeiro a ter um exército de seguidores no Twitter. E foi aquele que acabou com o preconceito contra a qualidade da comida de rua. "Foi uma experiência cultural em que o 'sujinho virou gourmet'", diz Choi.

O que motivou o chef celebridade dos food trucks a assumir a cozinha de um hotel? Roy Choi apaixonou-se pela ideia de transformar o prédio obsoleto na joia da coroa de Koreatown.

Dono da rua. O chef que puxou a onda dos food trucks nos Estados Unidos assume a cozinha de hotel e põe lámen no serviço de quarto

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.