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Do crime a Hollywood

Depois de 25 passagens pela polícia na juventude, Mark Wahlberg revisita passado em 'Sem Dor, Sem Ganho'

Elaine Guerini/ Los Angeles, Especial para O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h20

Desde a sua passagem pela prisão, aos 16 anos, o ator Mark Wahlberg jurou que "recomeçaria do zero", deixando para trás as drogas, os roubos e os atos de violência e vandalismo. Ele foi condenado a dois anos de reclusão (cumprindo apenas 45 dias) por agredir um vietnamita durante assalto, em 1987. "Para mudar de vida, é preciso ter disciplina, o que encontrei nos exercícios físicos", conta Wahlberg, que decidiu praticar musculação ao ingressar na Casa de Correção Deer Island, de Boston, cidade onde nasceu e cresceu. "Eu tinha 1m60 e 58 quilos quando fui parar em uma cadeia para adultos, um lugar nada recomendável para um garoto fracote como eu era.''

Foi nessa época que Wahlberg começou a esculpir o corpo, chegando aos 79 quilos de hoje - distribuídos em 1m73. "Ao me exercitar, adotei hábitos saudáveis, fazendo disso um estilo de vida", contou o ator de 42 anos ao Estado. E foi essa paixão pelo bodybuilding o encorajou a aceitar o papel do fisiculturista Daniel Lugo, de Sem Dor, Sem Ganho. Para estrelar a comédia de ação, que entrou este final de semana em cartaz, ele treinou ainda mais intensamente, ganhando para a filmagem (realizada no ano passado) 15 quilos só de músculos. "O mundo do fisiculturismo me fascina pelo comprometimento dos atletas. A vida deles é dedicada à malhação, à nutrição e ao descanso. Nada mais.''

No filme, dirigido por Michael Bay, seu personagem usa o físico para enveredar pela criminalidade. Em parceria com dois grandalhões (Dwayne Johnson e Anthony Mackie), Daniel sequestra um cliente milionário (Tony Shalhoub), desencadeando uma série de eventos desastrosos. O drama é baseado em um caso real, ocorrido na Flórida, em 1994, envolvendo fraude, roubo, sequestro, tortura e assassinato - tudo relatado em série de artigos publicados no Miami New Times, entre 1999 e 2000. "Espero que Deus seja um cinéfilo para entender as coisas questionáveis que ainda faço nos sets. Não quero perder minha liberdade como ator", brincou.

Casado com a modelo Rhea Durham e pai de quatro crianças (Ella, de 9 anos, Michael, de 6, Brendan, de 4, e Margareth, de 3), Wahlberg nunca mais quis saber de confusão na vida real. "Segui o caminho da delinquência por estupidez, arrogância da juventude e más companhias." O ator não culpa os pais - que se divorciaram quando ele tinha 11 anos - pelas escorregadas (foram 25 incidentes com a polícia de Boston). Nem mesmo a passagem pela banda do irmão mais velho, Donnie Wahlberg, do New Kids on the Block, conseguiu tirá-lo das ruas. Ele abandonou o grupo por considerá-lo "careta". "Fui criado de forma correta, apesar das dificuldades que meus pais tiveram para nos sustentar (Wahlberg era o caçula de família com nove filhos). Sempre soube diferenciar o certo do errado, ainda que fizesse escolhas ruins, das quais acabei me arrependendo depois."

Hoje Wahlberg traz mais de 30 filmes na bagagem, muitos deles policiais, como Os Infiltrados, pelo qual o ator foi indicado ao Oscar de melhor coadjuvante, em 2007. "A minha experiência nas ruas me qualifica para enredos de máfia, crimes e lutas. Esses filmes sempre foram os meus preferidos." O título que teve maior impacto na sua infância foi Lutador de Rua (1975), com Charles Bronson. "Foi a primeira vez que meu pai (o motorista de caminhão Donald E. Wahlberg) me levou ao cinema."

Wahlberg também atua como produtor, à frente da Leverage Management, de Los Angeles. Foi com essa empresa que ele realizou os 83 episódios da série Entourage (de 2004 a 2011), parcialmente baseada nas suas experiências como astro de Hollywood em ascensão. A versão cinematográfica do seriado está em pré-produção. "Como os fãs insistiram, os caras estarão de volta. Doug Ellin (o criador da série) está terminando o roteiro", disse, lembrando que a ação terá início seis meses após o último episódio da oitava temporada.

Será que Wahlberg não sente falta de vida de solteiro e, consequentemente, das loucuras revisitadas por Entourage? "Não. A camaradagem eu ainda vivo nos sets, com os meus amigos. A vida desregrada acabava sempre em encrenca", contou, rindo.

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