Roberta Pennafort/AE
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Dividida em duas, OSB dá início a uma nova fase

Plano é que 33 reintegrados voltem a tocar ainda este ano

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2011 | 00h00

O fim da contenda entre a Orquestra Sinfônica Brasileira e os 33 músicos afastados desde o início do ano foi a notícia que o público e o mundo erudito queriam ouvir. O acordo assinado na sexta-feira, passado um agosto de reuniões quase diárias, está mais próximo do que reivindicavam os demitidos do que para as primeiras ofertas da OSB, mas o saldo é positivo para todos. A sensação é de que de um limão fez-se uma limonada, avalia Fernando Bicudo, diretor artístico que em menos de dois meses conseguiu selar a paz desejada havia seis.

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"Agora temos duas orquestras, abrimos mais oportunidades de trabalho e conseguimos trazer jovens brasileiros que queriam voltar do exterior", vibra, referindo-se às contratações pós-audições, necessárias para preencher as vagas dos demitidos, e também à criação de um novo corpo orquestral, agora que eles serão reintegrados.

"Eu me sinto honrado, me preocupava com as famílias, com o fato de eles não terem onde tocar. Aqui não é Berlim, onde há dezenas de orquestras. Queremos pegar os músicos, botar no colo e fazer carinho. Se Deus quiser, ainda vão tocar em 2011."

Os instrumentistas, que se insurgiram contra testes de desempenho que mais lhes pareceram audições de ingresso (alguns têm décadas de OSB), e contra o regente titular, Roberto Minczuk, que as idealizou, conseguiram a garantia de que não terão de fazê-los "durante toda a vigência de seus contratos" (assegurada até 31/8/2013). E também a de que não precisarão tocar com Minczuk. Outra conquista foi a saída dele do cargo de diretor artístico da OSB, em julho, quando foi substituído por Bicudo (e por Pablo Castellar) - os músicos reclamavam da concentração de poder, que vinha desde que assumiu, em 2005.

Por outro lado, eles não ganharão os novos salários, pago só aos avaliados e exclusivos da OSB (os 33 não precisam dar exclusividade). "Foi um final feliz, a gente quer é tocar. A proposta melhorou muito até aqui", comemora o violinista Luzer Machtyngier, que os representa. Alguns seguem ressabiados, adotaram o "é esperar para ver". Mas parece unânime a sensação de que foi um "fim honroso" para a crise.

Por sua vez, a OSB manteve-se com Minczuk e ganhou 21 novos músicos. "Isso (o maestro) nunca foi colocado em questão pelo conselho nem pela Fundação OSB", diz o presidente da Fosb, Eleazar de Carvalho Filho. "Tivemos um desfecho em que todos ganham. Aprendemos que é difícil preservar algo, e é fácil perder. Vamos olhar para frente. O tempo vai permitir que tudo aconteça de forma serena."

A nova orquestra nasce 71 anos depois da "original" e ainda não tem nome. Bicudo reconhece que a ideia das duas formações "parecia meio maluca", mas lembra que várias orquestras têm mais de um grupo (Boston, Chicago, Los Angeles). "Do jeito que foi feito aqui é inédito no mundo, é uma solução paliativa, o acordo possível", espantou-se o compositor Marlos Nobre, que já teve obras estreadas pela OSB. "Não podem existir duas OSBs, duas Osesps... Agora é rezar e esperar a programação."

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