DIVERSIDADE EM FESTA

Em cerimônia no Sesc Pinheiros, críticos paulistas entregam os seus troféus a artistas de dez áreas

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h30

Em uma noite heterogênea e animada, que começou com show do Grupo Clarianas, de Taboão da Serra, a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) entregou os prêmios aos melhores de 2012. Entre nomes como Gabi Amarantos, Adriana Esteves, Júlio Andrade, Carlos Augusto Calil, Tulipa Ruiz, foi o veterano maestro Diogo Pacheco que, aos 92 anos, garantiu um dos momentos mais ousados, e divertidos, da cerimônia. Pacheco subiu ao palco do teatro do Sesc Pinheiros para receber o troféu de Personalidade do Ano em Música Erudita. "Só queria dizer que, se a Marília Gabriela é tri, eu sou bi. Mas eu chego lá. Não sou tão velho assim. Eu te amo desde que você tinha 14 anos e tocava violão em Ribeirão Preto", brincou o maestro com a apresentadora da noite, ao lado de Herson Capri. Marília, que em sua carreira já recebeu três troféus APCA (1989, 1990 e 1992), aprovou a brincadeira e deu um selinho de agradecimento em Pacheco, arrancando risos e palmas da plateia.

Outro veterano que mobilizou o público: Paulo Vanzolini. Vencedor do Grande Prêmio da Crítica pelo Conjunto da Obra na categoria Música Popular, o compositor, que subiu ao palco em uma cadeira de rodas, levantou-se para receber o troféu criado por Francisco Brennand e foi aplaudido de pé. "Comovido, eu agradeço em nome do samba", declarou.

Na mesma categoria, a paraense Gabi Amarantos foi eleita a melhor cantora. "Recebi bastante prêmios este ano, mas nenhum me deixou tão nervosa. Ser quem sou, esta mulher colorida, brilhosa, exuberante. E tenho orgulho disso. De colocar este vestido para vocês. Estou muito feliz de receber este reconhecimento e ver respeitada a diversidade cultural. A música do norte, do Pará, tem músicos incríveis. Convidem nossos artistas", declarou Gabi.

A noite também contou com duas homenagens. A primeira foi concedida ao escritor, historiador e crítico Sábato Magaldi, pela contribuição às artes e à cultura brasileira. "Como amigo, e humilde substituto de Sábato no jornal O Estado de S.Paulo, me sinto honrado. Foi ele quem ensinou que nós, críticos, erramos sim. E muito. E acertamos também. Ele costumava aconselhar: 'O importante é ter lealdade naquilo que se escreve. Diga com convicção e respeito, que você chega até o artista", declarou o crítico do Estado Jefferson Del Rios ao receber o prêmio, representando Sábato, das mãos de Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc.

De volta aos melhores do ano, na categoria Rádio, Chocolate Quente, da Eldorado FM, apresentado por Paula Lima, foi o melhor programa musical. "Estou muito honrada. Agradeço à Rádio Eldorado, que me convidou para apresentar. Tive liberdade de pesquisar, colocar a minha cara e fazer meu repertório. Agradeço ao Grupo Estado e, claro, aos ouvintes."

Na área de TV, houve unanimidade, ao conceder à novela Avenida Brasil, além do grande prêmio da crítica , também a Adriana Esteves e a José de Abreu os de melhor atriz e ator do ano. O ator, que pensava que receberia o prêmio de coadjuvante, declarou: "Não existem atores coadjuvantes. Existem atores e atrizes em papéis de coadjuvantes. É uma honra imensa dividir o prêmio de ator com a melhor atriz sendo a Adriana. Excelente atriz, grande amiga e colega".

Em literatura, foi de Mário Magalhães, vencedor de melhor biografia por Marighella, o Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo, um dos mais inspirados agradecimentos: "No fundo, não era para a gente estar discutindo se ele era herói ou vilão. A gente pode amá-lo ou odiá-lo. Mas sua vida foi excepcional. Hoje há muitos jornalistas presentes aqui. E o jornalismo tem vivido muitas crises. Talvez a maior delas seja a existencial, Nestes últimos anos em que li, ouvi e assisti a tanta coisa legal, digo que enquanto houver histórias fascinantes para contar, e gente disposta a contá-las, o jornalismo não vai morrer".

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