Diversidade dá o tom da programação de filmes da Suíça

Uma forma talvez simplista, mas eficiente de definir a Suíça é dizer que se trata de um país três em um. Pois a Suíça se divide em regiões de origens alemã, francesa e italiana. Essa diversidade se manifesta em tudo - na língua, na culinária, na herança histórica e no cinema. A mostra Panorama Suíço, que começou anteontem para convidados, no CineSesc, mostra até a próxima quinta, dia 20, dez longas e nove curtas. São quase todos inéditos nos cinemas brasileiros.

O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2013 | 02h11

E assim como o italiano - milanês - Sílvio Soldini assina um dos longas, diretores de outras ascendências, como Ursula Meier, Stéphanie Argerich e Christian Labhart são responsáveis por outros filmes merecedores de atenção. A Suíça não produz só chocolate ou relógios. Faz cinema, também. E do bom.

A exceção já conhecida do público brasileiro é Filha Problema, de Stéphanie Argerich, que aborda a por vezes difícil ligação da cineasta com sua mãe, a pianista Martha Argerich. Filha Problema integrou a programação do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. Martha, nascida na Argentina, mudou-se para a Europa, aos 14 anos, justamente para estudar piano. Ela tem três filhas, cada uma de um companheiro. Stéphanie reflete sobre sua relação com as irmãs e a mãe, e sobre o estilo de vida errante que os permanentes deslocamentos de Martha impuseram à família.

Outra pianista - a ucraniana Alena Cherny - é biografada pelo suíço-alemão Christian Labhart em outro documentário, Appassionata. Vivendo há 15 anos na Suíça, ela viaja para sua cidade natal para fazer a doação de um piano de cauda à escola em que estudou. A viagem acirra lembranças de uma vida de lutas e dificuldades. Ficção como o filme de Soldini é Minha Irmã, L'Enfant d'en Haut, da franco-suíça Ursula Meier. O filme concorreu em Berlim no ano passado. Conta a história de garoto que sustenta a irmã com seus pequenos roubos numa estação de esqui, nos Alpes.

Há um segredo nessa relação que se revela ao longo da narrativa. Ursula Meier ficou conhecida ao receber o prêmio de direção no Festival Francófono de Angoulême, em 2008, por Home, com Isabelle Huppert e Olivier Gormet. A "irmã" é agora Léa Seydoux, que acaba de ser premiada em Cannes com a tríplice Palma de Ouro para A Vida de Adèle, de Abdellatif Kechiche, dividida entre o diretor e as duas atrizes, Adèle Axerchopoulos e ela./ L.C.M.

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