André Mantelli/Divulgação
André Mantelli/Divulgação

Diversão e arte com Silvia Machete

Cantora e artista performática, artista une musicalidade, humor e malabarismos em gravação de DVD

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

Artista de múltiplos talentos, a carioca Silvia Machete se destacou em meados da década passada por seu humor inteligente, pelo estilo performático e pelos malabarismos circenses em cena. Causou boas impressões com seu primeiro álbum, Bomb of Love - Música Safada para Corações Românticos (2006), gravou um DVD/CD ao vivo, Eu Não Sou Nenhuma Santa (2008), e se aprimorou musicalmente com Extravaganza (2010). Agora ela volta ao palco do Auditório Ibirapuera para registrar o premiado show desse álbum em DVD, novamente dirigido por Roberto de Oliveira.

Veja também:

linkMais sobre o disco Extravaganza

Além de todas as canções de Extravaganza - que inclui composições próprias, como Feminino Frágil, em parceria com Erasmo Carlos, pérolas de Itamar Assumpção e Jorge Mautner -, ela canta até um lado B de Maysa (1936-1977), Só Você (Paulo Soledade), do álbum Barquinho, de 1961. "O show é ao mesmo tempo bonito e divertido, mas tem uma certa melancolia em algumas músicas", diz ela.

Silvia considera esse aprimoramento da parte musical de seu trabalho apenas parte do processo. "Foi uma coisa natural, e ao mesmo tempo procurei ser mais severa comigo mesma, ter essa maturidade, mas não deixei de fazer performance, o show está superengraçado", diz Silvia.

"Sei que a performance é muito forte na minha atuação, os críticos e formadores de opinião têm dúvidas se sou cantora ou não. É porque é difícil mesmo definir, meu mundo não é convencional", prossegue. "Trabalho com artes visuais e com música também, tenho essa sorte de gostar de música e de também não ser só cantora, de poder ter esse domínio de palco e de ter habilidades físicas que trago comigo de muitos anos. Já estou entendendo qual é a minha função nesse mundo das artes. Trabalho com audiovisual, mas tenho certeza de que se a música não fosse boa, nada daria certo."

No palco ela será acompanhada por "uma banda incrível", chamada Os Chuchuzinhos, formada por Fabiano Krieger (guitarrista e autor de duas canções do CD), o baixista Bruno di Lullo, João di Sabatto, Artur Dutra, Tiago Osório e Marcelo Lobato.

Obviamente o estilo de uma não tem nada a ver com o de outra, mas Silvia leva para o palco um conceito parecido com o que se vê no trabalho da americana Laurie Anderson. "Claro que ela é muito mais política, eu sou mais do entretenimento, mas me identifico com ela no processo criativo, nessa forma de ver como as artes podem funcionar juntas. Vejo o entretenimento como arte também, não é só porcaria. Explicar o conceito do meu trabalho é muito difícil, faço as coisas naturalmente porque elas vêm da minha essência, do que eu vi, do que me inspirou, que é espontâneo e que experimento com o público. Pode dar certo ou não."

Ela também continua trabalhando com o erotismo ("o sexual não levado a sério") e elementos circenses. O lustre em que ela se pendura num número do show é uma espécie de trapézio. "Queria em cena um objeto com que as pessoas se identificassem. O trapézio é um elemento do circo e eu quis também sair dessa coisa careta e da falta de surpresa que é o circo."

Versões. No CD Silvia também gravou A Cigarra, uma versão literal, assinada por ela, de um clássico do cancioneiro argentino. "Antes de cantar essa música, que é muito delicada e frágil, conto uma piada ácida, porque não gosto sentimentalismo, não queria ser piegas."

Outra curiosidade é Underneath the Mango Tree (Monty Norman), canção que a atriz Ursula Andress registrou na trilha sonora do primeiro filme da série James Bond, em 1962, e que a paulistana Cibelle também gravou em 2010 no álbum Las Vênus Resort Palace Hotel. "É uma incrível coincidência, adoro Cibelle e esse CD dela, já quiseram nos comparar, mas somos muito diferentes", explica Silvia.

Ela é fã do compositor John Barry, autor dos célebres temas de 007. "Tenho todos os discos dele, adoro. E na casa onde a gente gravou o CD tinha uma mangueira. Nem era para entrar no repertório, mas rolou lindamente, foi totalmente espontâneo. Originalmente foi gravada por um cantor centro-americano, falando inglês errado e com sotaque. A letra é muito politicamente incorreta, do jeito que eu gosto."

SILVIA MACHETE

Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, 3629-1075. Hoje, 21 h. R$ 30.

Tudo o que sabemos sobre:
Silvia Macheteshow

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.