Diva sem glitter

Mesmo no patamar de popstars há tempos já estabelecidos, com nada a provar e boas vendas garantidas por uma fiel base de fãs, é raro ouvir um lançamento tão inexpressivo, em todos os sentidos da palavra, como MDNA, o novo disco de Madonna. É quase uma anomalia: você coloca o disco pra tocar, aumenta o volume, turbina os graves e nada. MDNA não incomoda nem seduz. Passeia insosso por uma coleção de faixas de dance pop genérico, que parecem ter saído de uma máquina de fazer faixas de dance pop genérico. Em meio a batidas com propostas pop quase ingênuas, com um nível de energia muito abaixo do que costuma embalar a moçada hoje em dia, Madonna canta com uma voz inofensiva, que chega a ser esdrúxula quando fala, da maneira mais frígida imaginável, sobre a sensualidade de um homem. É como se a cantora fosse uma menina sendo forçada por seus pais ou pela governanta a cantar, como uma criança sem muita vontade é obrigada a fazer aulas de balé ou natação. Neste caso a criança canta para milhões.

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h09

É curiosa a forma como Madonna, a empresária mor das estrelas pop, o padrão de sagacidade gerencial, tem ficado datada sem perceber. A estética é sempre atual: além do eurodance noventista praticado pela maioria das mega estrelas de música eletrônica, há também uma seção com graves de dubstep, nova moda musical. Mas o que a diva não se deu conta (e talvez nem tenha como) é de quanto a sua atitude caiu em um vidro de formol.

MADONNA

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Universal

Preço:

R$ 34,90

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