Diva de Almodóvar

Marisa Paredes fala de A Pele Que Habito e das mudanças que o filme representa, até para ela

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2011 | 03h06

Carmen (Maura), Marisa (Paredes), Penelope (Cruz). As mulheres de Pedro (Almodóvar). A recordista em número de filmes é a primeira, com oito. Marisa atinge seis com A Pele Que Habito, ou cinco, porque ela própria não conta o pequeno papel em Fale com Ela. Penelope está nos cinco. Marisa Paredes faz as contas rindo. Ela conversa com o repórter no lobby de um hotel da Avenida Atlântica. Marisa veio ao Brasil para a abertura do Festival do Rio, justamente com La Piel Que Habito, que estreia amanhã em São Paulo.

Vestiu-se de vermelho, como a pombagira, para a gala do filme, no Cine Odeon. À tarde, encolheu-se sob a manta que a produção do evento, providencialmente, lhe arranjou. "É frio demais, desliguem este ar (condicionado)", pedia. Mas Marisa resistiu a tudo. Horas de entrevistas, o frio. "Estou aqui por uma razão em que acredito. Gosto muito do filme de Pedro e prometo fazer tudo direitinho para promovê-lo no Brasil."

Havia certa ironia na afirmação. Desde Cannes, em maio, Marisa já se acostumou aos mal-entendidos que cercam A Pele Que Habito. "Irregular", "decepcionante". As reações da maioria da crítica vão por aí. O próprio repórter reviu outro filme no Rio. Mais denso, forte, perturbador. "Não lhe disse?", o tom de Marisa é de triunfo quando a informação lhe é repassada. Ela tem sido uma defensora intransigente do filme.

Percebeu que algo de novo estava se passando no cinema de Pedro desde que leu o roteiro, adaptado (livremente) do livro Tarântula, de Thierry Jonquet. A certeza consolidou-se no set. "É um roteiro tão intrincado nos seus detalhes que só Pedro poderia imaginá-lo. Senti-o mais maduro no set. Os movimentos de câmera, as cores, a luz. O filme é a obra de um mestre. Pedro abandonou a crônica social ligeira para um mergulho profundo na alma torturada do ser humano."

A frase é tão retumbante que o repórter não resiste: sai-lhe um 'uau!' espontâneo. "Pues, hombre, no me lo cree?" Não acredita? Como não acreditar em Marisa? Com a convivência de quase 30 anos, se há alguém que pode falar sobre Pedro Almodóvar é ela.

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