Distribuidora virtual oferece livros em partes

Imagine a possibilidade de comprar, para consumo imediato e alívio intelectual, umas 100 linhas de Shakespeare, alguns círculos do Inferno de Dante, ou uma deliciosa passagem de Machado de Assis. Ou, na versão mais pragmática da vida moderna, obter à mão e na hora aquele capítulo essencial da obra do último guru de administração que você quer citar no discurso de boas-vindas ao presidente-executivo da empresa que tanto seu chefe quer atrair como cliente. Pois essa possibilidade existe, está na Internet, e se chama iEditora.A iEditora nasceu da sociedade de três experientes profissionais do mundo dos livros: Victor Kupfer, Sérgio Milano, da Editora Nobel, e Sérgio Kulikovsky, fundador da NetTrade, hoje incorporada pelo site Patagon. Lançada em março passado, com investimento de R$ 2 milhões, a iEditora não quer ser mais um site só de vender livros na rede mundial."Somos uma distribuidora de livros virtual que, para promover o produto, também vende e faz parcerias com as livrarias que já estão na Web", define Kupfer. O empresário aposta que o mercado do livro eletrônico, o e-book, no Brasil, embora ainda seja incipiente, tem tudo para crescer a curto prazo, com o barateamento e a simplificação dos equipamentos eletrônicos que permitem o armazenamento e a leitura das obras.Até mesmo por causa da mania que os professores, em especial os universitários, têm de recomendar a leitura de apenas alguns capítulos de obras de referência, que hoje acabam sendo xerocadas pelos estudantes, sem reverter nenhum dinheiro de direitos autorais aos criadores dos textos. "Ao oferecermos a possibilidade de ele ter esses mesmos capítulos em seu próprio computador, e até imprimi-los pelo menos uma vez, o estudante não precisa mais xerocar o original e vai repassar o pagamento do direito autoral, proporcionalmente ao trecho solicitado", explica Kupfer.Download - Ele ressalta que o software desenvolvido pela iEditora para tornar viável essa prática "foi totalmente respaldado, nos moldes internacionais, pela consultoria do advogado Plínio Cabral, diretor da Câmara Brasileira do Livro" e especialista em Direito Autoral. "Quando o internauta quer imprimir uma obra que é de domínio público, como os grandes clássicos da literatura, ele não paga nada para fazer o download", diz o empresário.E acrescenta: "Mas se é uma obra que ainda precisa recolher direitos autorais, ele é solicitado a fazer o pagamento podendo, inclusive, a partir daí, tirar uma única cópia do texto na tela do seu computador para uso próprio."Lançamento - Ele também está investindo no lançamento de novas obras exclusivamente para a Web, como o mais novo livro infantil da escritora Mirna Pinsky, que sairá em breve. "O lançamento virtual tem uma redução de custo da ordem de 50% a 70% em relação ao custo de se lançar um livro de maneira tradicional."Além disso, segundo o empresário, o lançamento virtual permite que sejam feitos contratos mais rentáveis para o próprio autor da obra, "com remuneração de até 15%, em lugar dos tradicionais 8% a 9%".Acesso - Sempre de olho na meta de ajudar a popularizar o e-book no País, Kupfer acertou uma parceria com a rede de lojas de acesso à internet NetCorner. Nelas, a partir da próxima semana, aquelas pessoas que desejam comprar o livro virtual, mas ainda não têm computador ou cartão de crédito, ou que preferem realizar o pagamento em dinheiro ou cheque, podem fazer toda a operação de download, imprimindo o texto no fim do processo."Das 12 lojas que temos hoje, vamos chegar a 50 até o fim do ano, em locais de intenso trânsito de pessoas, na cidade, para democratizar o acesso da Internet principalmente para a classe C, que ainda não tem como comprar sua própria máquina", diz Raphael Ades, presidente-executivo da NetCorner.Parcerias - O acervo da iEditora, segundo Kupfer, possui títulos para todos os gostos. "Fizemos 30 parcerias com grandes editoras e oferecemos 350 títulos, além de estarmos digitalizando mais 1,4 mil, de todos os gêneros", diz o empresário.A intenção, garante ele, é tornar disponível no site todo o acervo das editoras nacionais, incluindo-se obras que nem sempre os editores lançam de imediato no mercado brasileiro. "Às vezes o editor não sabe se uma obra vai vender, e ele pode fazer um pré-lançamento virtual, para avaliar o interesse do público", explica. Essa mesma relação vale para os donos das livrarias. "Eles podem não ter todos os livros de todas as editoras fisicamente, no papel, mas podem tornar disponíveis as versões digitais ao cliente", diz Kupfer. E acrescenta: "Isso ocorre a partir de um simples computador ligado à internet, inclusive no formato "print-on-demand", que imprime o livro em 15 minutos, em média, para o interessado, sem ocupar espaço nas prateleiras da loja."

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