'Disparada' marca enterro de Jair Rodrigues

Amigos e familiares deixaram mensagens de reforço sobre a imagem bem-humorada e atenciosa do cantor

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2014 | 10h32

O corpo de cantor Jair Rodrigues foi enterrado às 12h30 de ontem, no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo, ao som de Disparada, um de seus maiores sucessos. O enterro foi acompanhado por muitos amigos, parentes e fãs. O coral ecumênico da Boa Vontade interpretou a canção, junto com Paulinho Dafilin, músico da banda que tocava com Jair, que, emocionado, pediu para tocar um dos violões.

Nascido em Igarapava, interior de São Paulo, Jair Rodrigues morreu na manhã de quinta-feira, aos 75 anos, de enfarte do miocárdio, em sua casa, localizada em Cotia.

Entre as homenagens, Jair ganhou uma canção composta pelo filho, Jairzinho. A música tem a fragilidade da vida como tema e termina com um agradecimento: "Obrigado por seu sorriso".

Inicialmente previsto para as 11 h, o enterro atrasou por conta de um breve tumulto provocado pelos quase 300 fãs que se aglomeraram no local para se despedir do artista.

Na capela, a missa que precedeu o enterro foi fechada para amigos e parentes do artista, enquanto os fãs e a imprensa aguardavam do lado de fora.

Com o aval da família, o padre que realizou a cerimônia tentou organizar uma fila para que os fãs pudessem ver o corpo pela última vez. Mas a euforia e impaciência do público resultou em uma pequena confusão, prejudicando o acesso à capela.

Entre os presentes, estavam no enterro Sérgio Reis, Roberto Leal, Simoninha, Luiza Possi, Caju e Castanha e Marisa Orth. "É um amor louco, que dá em todo mundo. Ele era melhor que todos e parecia imortal", disse a atriz, emocionada.

O apresentador Raul Gil, amigo de longa data, também compareceu ao sepultamento: "Fizemos músicas juntos, mas que nunca deram certo e nunca foram gravadas". "Nunca o vi reclamando de nada. Era um cara que estava cheio de saúde e, de repente, vai embora. Deus levou-o para deixar o céu mais feliz, alegre e divertido. Jesus deve estar dançando."

"Nos nós conhecemos nos anos 1960, na Record", disse Sérgio Reis. "Ele era um cara muito simples. No seu aniversário, em fevereiro, ele esteve lá em casa comendo ovos mexidos comigo. Além de ser um talento incrível, ele cantava qualquer coisa", reconheceu ainda. Agora, temos que matar a saudade ouvindo as músicas dele", completou o amigo.

O cantor e ator português Roberto Leal também prestou sua homenagem. "É através do canto que conseguimos cumprir a nossa missão, e com Jair foi assim", afirmou. "Estar aqui é lembrar uma porção de coisas: foi ele quem me levou pela primeira vez a uma escola de samba, ao Maracanã", lembrou o artista radicado no Brasil. "Vamos prosseguir com aquilo que ele ensinou, ele viveu como ninguém e agora continua."

O senador Eduardo Suplicy, presente no cemitério, afirmou que Jair foi um exemplo notável. "Um homem extraordinariamente bom", lembrou ele. "Que maravilha que tivemos Jair Rodrigues na música popular brasileira", afirmou, ainda, relembrando a performance inesquecível do músico no Festival de 1966, interpretando a mesma Disparada, uma composição de Geraldo Vandré e Théo de Barros.

Os fãs e o coral presentes no enterro ainda cantaram diversas outras canções eternizadas pela voz de Jair Rodrigues, como A Majestade O Sabiá, composição de Roberta Miranda, e Tristeza, de Haroldo Lobo e Niltinho.

Após o enterro, uma montanha de coroas de flores, enviadas por amigos e colegas, foi colocada sobre a lápide do músico. Ao fim da cerimônia, o filho Jairzinho ainda passou uma mensagem à imprensa: "Agora, todos temos que nos esforçar para sermos feliz como ele foi". É o jeito.

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