Discutindo a relação

Oscar aposta em tramas sobre relacionamentos e obras autorais

LUIZ CARLOS MERTEN , O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h10

Dia de glória para a França - O Artista, de Michel Hazanavicius, confirmou seu favoritismo e foi ontem indicado para concorrer ao Oscar nas categorias principais. Melhor filme, diretor, ator (Jean Dujardin), atriz coadjuvante (Bérénice Bejo) e roteiro. Outros favoritos a melhor filme também emplacaram a candidatura - Os Descendentes, de Alexander Payne; Cavalo de Guerra, de Steven Spielberg; A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese; Histórias Cruzadas, de Tate Taylor. Dujardin e George Clooney, por Os Descendentes, estão entre os indicados para a estatueta de melhor ator e só louco para duvidar que Meryl Streep, recordista de indicações na história do prêmio - mais que as lendárias Katharine Hepburn e Bette Davis -, não ficaria entre as finalistas por sua interpretação como Margaret Thatcher, em A Dama de Ferro.

O Brasil, que não foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro - Tropa de Elite 2, de José Padilha, não convenceu os chamados 'velhinhos' da Academia -, terá direito a festa na grande noite. Carlinhos Brown foi indicado para o Oscar de canção por Rio, a animação de Carlos Saldanha. Houve um perdedor, antecipadamente. Steven Spielberg foi defenestrado na categoria de melhor diretor (por Cavalo de Guerra) e As Aventuras de Tintim nem sequer ficou entre os indicados para melhor animação, categoria que venceu no Globo de Ouro, por exemplo. Ainda é cedo para antecipar quem - ou quais filmes -, nas listas de apostas, chegarão no dia 26 de fevereiro ao pódio do favoritismo, vencendo os prêmios da 84.ª cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mas algumas constatações já podem ser feitas.

Hollywood, em 2012, está privilegiando as tramas humanas e os relacionamentos - com filmes como Os Descendentes, que estreia na sexta, e Histórias Cruzadas. A própria celebração do cinema, em O Artista e A Invenção de Hugo Cabret - o primeiro com 10 indicações e o segundo, com 11 -, põe a França no pódio. O Artista é produção francesa sobre um astro do cinema norte-americano silencioso que aprende que a vida é mais importante que os filmes. Hugo é sobre a revalorização de um pioneiro do cinema francês (e mundial), nos tempos heroicos do cinema mudo. O Artista é austero, feito em película, em preto e branco, sem diálogos. Hugo, um pouco à maneira de Tintim, promove uma vertiginosa viagem ao coração das novas tecnologias (o 3D inclusive).

É possível que Hollywood, selecionando filmes tão irmãos - e, ao mesmo tempo tão diferentes -, esteja querendo se despedir do cinema tradicional, que a revista francesa Cahiers du Cinéma já decretou que está morto, dedicando uma de suas capas recentes à consolidação do digital. O que o Oscar de 2012, para os melhores de 2011, está sinalizando, de forma inequívoca, é para a consolidação do cinema de autor, uma espécie de terceira via norte-americana.

A Árvore da Vida e Terrence Malick concorrem a melhor filme e diretor e, não por acaso, Woody Allen e o iraniano Asghar Farhadi também estão indicados para concorrer aos prêmios de roteiro, por Meia-noite em Paris e A Separação (e o primeiro também concorre a melhor diretor). Prepare-se, porque agora começa a enxurrada de lançamentos. Até fevereiro, a maioria, senão todos esses filmes, estarão em cartaz, para se beneficiar da mídia.

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