Discovery Channel exibe documentário de Lawrence Wahba

Quando se fala em cinegrafista submarino no Brasil, o nome do paulista Lawrence Wahba desponta sem concorrentes. Há dez anos, suas aventuras pelos mares do mundo ganharam espaço no "Fantástico" e o tornaram famoso. Hoje, seus documentários são exibidos nos principais canais de TV e ele ainda tem quadro fixo no "Domingão do Faustão". Apaixonado por tubarões, Wahba filmou inúmeras espécies do animal, inclusive os perigosos tubarão branco, tigre e cabeça-chata. Os dois últimos são focados na mais recente empreitada, "Rebelião de Tubarões", que o Discovery Channel exibe nesta quarta-feira, às 22 horas.Em uma década, foram registrados mais de 40 ataques de tubarões no Recife, com quase 20 mortos. Wahba passou 11 meses entre Recife, Bahamas, Cuba e Flórida para investigar por que os tubarões têm se mostrado tão agressivos nas praias pernambucanas. A interferência humana no ecossistema, como a pavimentação de manguezais, é um dos vilões da história. A questão ambiental sempre preocupou Wahba, que aprendeu a amar a natureza durante as férias na Praia das Tartarugas, em Búzios, onde deu seu primeiro mergulho. Em entrevista ao Estado, o cinegrafista lembra do início da carreira, fala dos desafios da profissão e revela seu maior sonho.Rebelião de Tubarões é um alerta ambiental com jeito de história detetive. Como chegou a esse formato?A preservação do meio ambiente é ponto fundamental do meu trabalho. Já a forma detetivesca surgiu da parceria entre a Canal Azul (fundada por Wahba e Ricardo Aidar) e a co-produtora National History New Zeland (NHNZ). Documentário sobre a natureza tem fama de ser sonolento e canais como o Discovery e o National Geographic sabem que é preciso segurar o público, principalmente o jovem, que rejeita esse gênero. Há toda uma preocupação editorial e, neste caso, o estilo detetivesco nos pareceu atraente. O ataque dos tubarões é o "crime" a desvendar.A fama veio com o "Fantástico"?Sim, mas foi conseqüência de uma série que fazia para a Globosat/GNT. O "Fantástico" comprava extratos do material. Fui freelancer por muitos anos e tenho uma relação antiga com o Discovery e o National Geographic. Em TV aberta era esporádico, até ser contratado para o "Domingo Espetacular". Fiquei um ano na Record. Era uma maratona. Produzimos 52 matérias de dez minutos, uma por semana. Quase enlouqueci.E agora, no "Domingão do Faustão"?O esquema é mensal e me permite outros trabalhos. Consegui terminar o livro "Dez Anos em Busca dos Grandes Tubarões", que sai em setembro pela Nobel. Trabalhar no Fausto é como escrever um jornal, mais superficial, rápido, mas a mensagem alcança um universo enorme. E fazer um documentário no estilo de "Rebelião de Tubarões" é como escrever um livro. Posso passar meses analisando a melhor forma de realizá-lo. Uma coisa complementa a outra.Quando descobriu a paixão pelo mar?Aos 7 anos mergulhei com meu pai e meu tio em Búzios e fiquei apaixonado. Fiz faculdade de cinema e comecei a filmar meus alunos de mergulho. Ingressei no mergulho científico quando o professor de biologia marinha, Sérgio de Almeida Rodrigues, da USP, me chamou para filmar as pesquisas dele. Fui autodidata até meados dos anos 90 e minha carreira deu um salto ao conhecer a NHNZ, pois trabalhei com os melhores do ramo.Como decide o que vai filmar?Antes, trazíamos o mundo para o Brasil e agora levamos o Brasil para o mundo. Com a Globosat/GNT viajei ao exterior e fiz matérias para o público brasileiro. Hoje, canais de fora buscam produtores locais capazes de fazer produções originais no seu território. Há um portfólio de projetos e, sempre, o mais difícil é arrumar quem pague a conta. Um deles é gigante, em parceria com a produtora da "Marcha dos Pingüins", mas apesar de terem ganhado o Oscar e de um importante canal internacional estar associado, ainda não levantamos todo o capital. Esse é o maior desafio. Mergulhar com o tubarão-tigre é a parte divertida.E lá embaixo, qual o maior desafio?Esquecer a paixão pelo mergulho, pelos tubarões, e ser racional. Tenho de me preocupar com o processo de contar uma história, pensar no enquadramento, no movimento do animal, em quanto posso me aproximar sem me arriscar e como isso vai resultar cinematograficamente. Existe todo um mecanismo de montar a seqüência do filme e não se deixar levar pela emoção que é estar lá embaixo.Depois de mais de 3 mil mergulhos em 40 países, ainda tem algum sonho a realizar?Sonho lançar meu primeiro longa-metragem. É aquele projeto em parceria com a equipe da Marcha dos Pingüins. Não posso dar detalhes, mas será um docudrama, uma mistura de fantasia e realidade filmada no Brasil. Temos uma parcela do orçamento captada e espero rodar em 2007, para estar pronto em 2008.A família o acompanha em viagens?Diminuí o ritmo. Agora tenho a Dani (Daniela Barbieri, apresentadora do "H2O", da TV Cultura), minha mulher, e o Lorenzo, de 2 anos. Já o levamos três vezes à Bahia e outra ao Pantanal. Também fomos ao México, pegamos um furacão e ficamos num abrigo. Ele adorou.

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