Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Disco ''proscrito'' pode ser relançado

Cantor diz que qualidade de gravação de seu primeiro elepê, de 1961, único fora da discografia, é maior empecilho

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

A quatro meses de completar 70 anos, o cantor Roberto Carlos já avalia a possibilidade de reeditar o único álbum de sua carreira que nunca permitiu que fosse relançado: Louco por Você, de 1961, o primeiro de sua carreira. O disco "proscrito" de Roberto fará 50 anos em 2011. Raridade, um original em vinil desse elepê, caso seja encontrado, pode alcançar preço de até R$ 8,5 mil no site Mercado Livre (é um dos mais raros nos sebos, ao lado de Coisas, de Moacir Santos).

Para os mais esperançosos, o cantor, que sempre relutou em permitir seu relançamento, já pensa em rever sua posição. "Olha, às vezes eu penso nisso. O problema do Louco por Você é que, vamos dizer, a qualidade de som do disco... Não sei se a gente pode fazer com que ela melhore o suficiente para competir no mercado com o som que a gente tem hoje. Antigamente era muito precária a forma de gravação. Essa é a minha preocupação", disse o cantor ao Estado, anteontem. "Poderia até lançar o disco Louco por Você, mas eu queria lançá-lo com um som muito melhor que o som original. Mas, como a tecnologia cada vez evolui mais, pode ser que a gente até consiga. Não simplesmente com a remasterização. Não. Teria que fazer um trabalho um pouco maior, mais sofisticado, vamos dizer assim. Naquela época a gente gravava em dois canais, né, bicho? Agora a gente grava em todos os canais, 90, 100, 200", afirmou Roberto.

Produzido por Carlos Imperial, Louco por Você tem bossa nova, iê-iê-iê, boleros e se constitui no único registro da fase pré-Jovem Guarda de Roberto, quando ele foi acusado de ser um mero imitador de João Gilberto. Tem 12 faixas, entre elas Louco por Você (versão de Careful Careful, feita por Carlos Imperial), composições originais de Imperial (como Chorei, Ser Bem e Não É Por Mim), e versões, como Mr. Sandman (canção de Pat Ballard lançada em 1954) e Cry Me a River, de Arthur Hamilton.

É o único dos discos do "Rei" que não traz sua imagem na capa, mas a de um jovem casal segurando uma flor (chegaram a dizer que era uma ideia copiada de um álbum do tecladista americano Ken Griffin, mas as capas são diferentes).

O cantor também falou sobre a chance de lançar um álbum de músicas inéditas no ano que vem. "Já tenho grande parte do repertório. Ia fazer no ano passado, depois pensei em fazer neste ano, mas os compromissos têm sido tantos que não tenho tido tempo. É um disco que vai me tomar muito tempo. Porque eu quero que seja muito bem-feito. Fiquei cada vez mais detalhista e exigente. E exigência e detalhismo precisam de tempo. Quero lançar este ano, mas só vou lançar se estiver do jeito que aprovo. Como diz o Sting, de um modo geral eu nunca entrego um disco, eu o abandono, num momento em que não aguento mais trabalhar nele. E (com) as pressões que a gravadora faz, que o Dody (Sirena, empresário) faz, eu acabo abandonando o disco."

Roberto também se mostrou surpreso com a informação de que sites portugueses vendem livremente o livro Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César Araújo, biografia não autorizada cuja comercialização ele conseguiu proibir, há três anos, após decisão de um tribunal de São Paulo. Roberto acenou com a possibilidade de ir à Justiça também em Portugal para evitar o comércio do livro.

"Eu não sabia disso", disse Roberto, contrariado. "Eu ouvi que havia alguns exemplares à venda no início, quando o livro foi retirado das livrarias. Vamos tomar algumas providências", afirmou o empresário de Roberto, Dody Sirena. O cantor e seu empresário anunciaram alguns planos futuros, mas sem determinar datas. Um deles é o lançamento de um luxuoso livro de fotos, cujo boneco já está pronto. "O livro está sendo feito. É enorme, pesa muito", disse o cantor. Outra possibilidade é a associação com uma produtora de cinema para um projeto de biografia cinematográfica. O cantor afirmou que tem recebido muitas propostas, do cinema e da TV. "Mas eu ainda não decidi. Mas acho que a qualquer momento isso pode acontecer. Eu preferiria cinema."

Roberto falou em um hotel de Ipanema sobre seus planos, que incluem uma recém-anunciada parceria com um cartão de crédito para patrocínio nos próximos 10 anos - quando acabar o contrato, ele terá 80 anos. "Não penso em aposentadoria, porque vou continuar trabalhando, vou continuar cantando", disse o artista. Ao ser indagado sobre o que mais falta em sua carreira, ele afirmou: "Falta seguir, prosseguir fazendo tudo que faço, fazendo as canções de amor que eu gosto de fazer. E buscando sempre falar do amor, da forma mais bonita que eu possa falar, e mais emocionante. Ainda quero realizar muito mais, principalmente no tema do amor."

Afirmou que pretende entrar na avenida, no carnaval, sambando - e para isso fará intensa fisioterapia nos próximos dias. Ele é homenageado pela escola Beija-Flor. Já tinha sido tema do carnaval em 1987, pela escola Unidos do Cabuçu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.