Disco coloca ouvinte na roda

O violonista Euclides Marques fez com o disco de João Borba um marco técnico. Usando conceitos de gravação em alta fidelidade, remou contra a corrente de uma cultura de gravação do gênero e reduziu tudo o que os ouvidos estão acostumados a perceber como massas compactas que fazem instrumentos de corda e percussão se tornarem um bolo só.

O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h07

Euclides colocou a voz dolente e segura de Borba em um plano à frente e colou a ela, a apenas um passo atrás, o violão de sete cordas de uma fera de dez dedos em cada mão chamada Luizinho Sete Cordas. As costuras das 'baixarias' de Luizinho, assim, soam leves e espirituosas, sem precisar gritar para sobreviver aos ataques impetuosos de surdos, caixas e pandeiros.

Cada canção se torna uma história pensada com começo, meio e fim, com detalhes em arranjos que pintam cores novas trazidas por uma instrumentação inusual. Carente, o samba que faz o bar cantar junto, tem a grave introdução de clarone e clarinete. E Emossamba, outra bem pedida, tem um "violino malandro" de Ricardo Herz (que Borba, na gravação, pediu para trocar por "violino sambista", já que esse negócio de malandragem não é com ele).

Um cantor que compõe, e não o contrário, João Borba faz versos sem se preocupar em dizer o que sente por caminhos complexos. "Só eu choro, só eu sinto, a falta da presença de alguém / eu queria, ter pra sempre, alguém que me chamasse de meu bem" são versos de uma simplicidade que não caberia em qualquer alma. Na de João Borba, conseguem emocionar porque lá soam verdade e se tornam grandiosos. / JULIO MARIA

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