Diretor sintetiza influências

Crítica

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Peppino coleciona fotogramas em Baaria, como outros meninos talvez colecionassem figurinhas. É uma reinvenção dos beijos que eram cortados pela censura da Igreja e que o cinegrafista reintegrava à vida do protagonista de Cinema Paradiso.

O novo filme de Giuseppe Tornatore totaliza uma experiência humana - e social. Mais tarde, o colecionador de fotogramas dirá, da política, que ela é bela, não importa quantas sejam as decepções que provoca. Além de cineasta - comendador das artes, por decreto do Conselho de Ministros da Itália -, ele é um cinéfilo apaixonado que amplia seus filmes anteriores, ao mesmo tempo que sintetiza os autores que mais lhe interessam.

É impossível assistir a essa recriação da vida provinciana, sob o fascismo, sem associá-la ao Federico Fellini de Amarcord. As décadas de história também evocam Bernardo Bertolucci, Novecento. A trilha de Ennio Morricone, o tom épico e a violência da Máfia remetem a Sérgio Leone, Era Uma Vez na América (aqui, na Sicília). O filme passa-se quase todo num quarteirão de Baaria. O mundo cabe no coração da Sicília, como os filmes anteriores de Tornatore estão dentro deste.

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