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Diretor Rogério Sganzerla é tema de documentário

'Mr. Sganzerla - Os Signos da Luz' chega às telas oito anos após a morte do cineasta

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

25 de maio de 2012 | 03h09

Oito anos após sua morte, em janeiro de 2004, o diretor Rogério Sganzerla segue sendo um dos grandes motores de inspiração do cinema brasileiro. Ao belo Luz nas Trevas, que sua viúva, Helena Ignez, realizou em estreito diálogo com o cultuado O Bandido da Luz Vermelha, vem se somar agora Mr. Sganzerla - Os Signos da Luz. Helena, antes de se ligar a Sganzerla, foi casada com Glauber Rocha, com quem teve a filha Paloma, parceira (na arte e na vida) de Joel Pizzini, que assina Mr. Sganzerla. Duas das mentes mais delirantes do País possuem interligações profundas, por mais distintos que fossem seus projetos de cinema.

O Cinema Novo de Glauber, o Marginal de Sganzerla. Revisto há pouco na Virada Cultural, na retrospectiva da Boca do Lixo, O Bandido teve aplausos consagradores no fim da sessão, prova de que continua atual (inovador?). O título pode agora parecer intrigante - por que Mr. Sganzerla? Por causa do amor de Ropgério por Orson Welles, a quem, considerava o maior cineasta do mundo.

Em 1942, como parte do projeto de integração continental do então presidente Franklin Roosevelt, o autor de Cidadão Kane veio ao Brasil para fazer um filme que ficou inacabado. Isso não impediu que It's all True, É Tudo Verdade, virasse uma obra mítica - como a aventura mexicana do cineasta russo Sergei M. Eisenstein. Pizzini mistura Oswald de Andrade, antropofagia e Orson Welles. É como se o próprio Sganzerla - o filme é narrado em primeira pessoa - estivesse canibalizando Welles, para se apropriar de seu filme inacabado, que foi uma inspiração permanente para ele. Sganzerla dedicou uma tetralogia à passagem do artista pelo Brasil, Incluindo seu filme testamento, O Signo do Caos, de 2003.

Influências. Embora o próprio Sganzerla tenha se definido como acadêmico, seus filmes nunca contaram histórias tradicionais, ou nunca contaram tradicionalmente suas histórias. A ligação com Helena Ignez, a parceria com Júlio Bressane - seu sócio na Bel-Air -, a paixão por Orson Welles e a atitude iconoclasta, diante da arte e da vida, perpassam Signos da Luz.

O "Mr." não apenas se justifica como ganha acento crítico. E o filme assimila todas as outras influências de Sganzerla. A luz, a música (de Noel Rosa a Jimi Hendrix). Os Signos da Luz surgiu dentro do projeto Iconoclássicos, do Itaú Cultural, que abriga mais quatro documentários sobre grandes artistas nacionais (José Celso Martinez Correia, Paulo Leminski etc). Uma boa definição para o que faz Pizzini é filme/poema, ou ensaio - um ensaio poético sobre um autor que segue sendo visceral.

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