Diretor fica indignado com acusação de racismo

Frank Coraci conhece Adam Sandler desde que ambos tinham 18 anos (nasceram em 1966). No cinema, Coraci tem dirigido alguns filmes do amigo. Ele assina agora Juntos e Misturados. A crítica dos EUA não é muito receptiva aos filmes de Sandler, mas desta vez o repúdio foi quase unânime. Numa entrevista por telefone, Coraci bate na tecla de que não faz filmes para os críticos e sim, para o público. "Para mim, os críticos têm sua agenda e já chegam aos filmes com ideias preconcebidas. Ele criticaram o filme pelo que chamaram de 'abordagem quase zoológica dos africanos como servis dançarinos e tocadores de tambor'. O filme acaba de estrear na África do Sul e as plateias de lá não se sentiram representadas dessa maneira. Viram outra coisa. Nem de longe quisemos ser preconceituosos. Em quem você espera que eu acredite? Nos críticos de Nova York ou nos próprios africanos?"

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2014 | 02h06

O repórter observa que o coro africano, formado por um grupo que canta e dança comentando a ação, é um dos recursos mais originais e divertidos do filme. "Foi o que também pensei. Desde que os personagens apareceram no roteiro, senti que poderia fazer algo muito visual. A África é um continente que mexe com a cabeça da gente. Vida primitiva, natureza selvagem, animais exóticos, paisagens de cortar o fôlego. Mas nada disso substitui os próprios africanos. Filmamos in loco e recebemos o carinho daquelas pessoas, que foram muito hospitaleiras. Seria um canalha, se retribuísse sendo ofensivo."

Há uma ditadura do politicamente correto, e Coraci e Sandler são acusados de transgredir várias regras. Humilhação das crianças, hipocrisia na abordagem do comportamento masculino - tudo é motivo de crítica. "Já trabalhei antes com Adam e o que posso dizer é que esse filme nasceu do desejo dele de falar sobre a paternidade. Adam é pai de duas filhas. É um pai amoroso. Como alguém pode nos acusar de bullying, de humilhar as crianças? O problema é que as pessoas se levam a sério demais. Se elas zoassem mais consigo mesmas, esse mundo seria melhor, com certeza."

Sandler volta a formar dupla com Drew Barrymore (leia acima). "Drew é uma das pessoas mais doces e bem-humoradas que conheço. E a química dos dois bate na tela." Um dos filhos dela parece-se com Frodo, e isso é motivo para uma piada sobre o local onde ele esconde o 'anel'. Nas sessões no Brasil, o público morre de rir. Coraci sente-se recompensado. "Com Adam, a gente sempre trabalha a emoção, mas nunca se pode ser sentimental demais, para não ser pegajoso. Um pouco de vulgaridade também cabe, mas não demais, por causa da classificação etária (PG-13). É tudo uma questão de balancear." A surpresa é a confissão do diretor. "Faço comédias, e gosto do que faço, mas meu gênero preferido é a ficção científica. Você viu No Limite do Amanhã, com Tom Cruise? Adorei", ele diz.

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