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Diretor fala sobre o longa 'O Exercício do Poder'

Filme recebeu o prêmio da crítica na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

10 de agosto de 2012 | 03h11

Prêmio da crítica na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, melhor ator para Olivier Gourmet em Mar del Plata, 1 milhão de espectadores na França e um debate nacional sobre política - o diretor Pierre Schöeller está feliz da vida com a repercussão alcançada pelo longa O Exercício do Poder, que estreia hoje em São Paulo. Numa entrevista por telefone, de Paris, ele faz o que considera um esclarecimento importante. Seu filme chegou às telas com outros que também abordam o universo da política na França - La Conquête, de Xavier Durringer, e Pater, de Alain Cavalier. "É mera coincidência. Além de não terem nada a ver uns com os outros, meu filme demorou oito anos para ser feito. Já estava nele havia muito mais tempo, mas acho salutar essa preocupação pela política num momento de crise da economia e das instituições, quando os profissionais da política são colocados sob suspeita."

O diretor estabelece a diferença entre L'Exercice de l'État, título original, e O Exercício do Poder, como se chama no Brasil. "O poder se aplica em qualquer situação humana, há os que mandam e os que são mandados, os que aceitam e os que se rebelam. O Estado é a forma de organização social e política em que os indivíduos, os eleitores, outorgam poder a uma classe dirigente. Essa classe tende a formar um núcleo fechado e eu diria que tende a usar expedientes para se eternizar no poder." Isso ocorre na França, ele diz. Ocorre em qualquer lugar.

A classe política está no banco dos réus no Brasil, por meio do julgamento do mensalão. Pierre Schöeller - pronuncia-se Xolér - admite não estar informado do caso, mas cita vários momentos de crise da administração de Nicolas Sarkozy na França e de Barack Obama nos EUA. O filme dele é sobre o ministro dos Transportes. O cara é acordado por assessor no meio da noite. Desperta para uma crise gigantesca - um ônibus de escolares caiu num penhasco. A imprensa, os pais, a opinião pública, todos responsabilizam o governo, o mau estado das estradas, a questão salarial. Como M. le ministre poderá minimizar as acusações e a manter o cargo, mantendo também a integridade?

"O que me interessava era essa visão de bastidores, a desumanização da política e a questão ética face aos exercícios do poder e do Estado", ele avalia. O filme demorou a ser feito porque esse "era um métier que não dominava". Qual, o cinema? "Não, a política. Escolhi uma pasta menor, a dos Transportes, mas tive de fazer uma extensa pesquisa. O próprio ministro me convocou para debater o assunto." Schöeller é roteirista, além de diretor. "O filme foi muito planejado, muito escrito. Quase não houve improvisação, e menos ainda quanto às falas, porque esse mundo oficial possui um jargão muito específico. Não dá para sair improvisando de qualquer maneira." Olivier Gourmet foi autorizado a assistir a reuniões ministeriais como observador, como preparativo para o papel. Foi feito algum acordo com o ministério, na forma como seria retratado? "Não. O filme é crítico com o poder e o Estado. O que me interessa é o cidadão, o espectador, que também é eleitor."

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